Musas do cinema – Deborah Kerr

O sotaque britânico e elegância nos gestos renderam à atriz papéis de mulheres fortes

O sotaque britânico e elegância nos gestos renderam à atriz papéis de mulheres fortes

A cena é inesquecível. Câmera hipnotizada pelas ondas mágicas do Havaí corta bruscamente para esquerda e pega no flagra Burt Lancaster e Deborah Kerr se beijando seminus na areia. Eterna fuga dos amantes imortalizada por uma das atrizes mais belas e elegantes do cinema. Assim era Deborah Kerr, uma mulher à frente do seu tempo que não tinha medo de subverter nas telas seus valores e imagem em prol de um bom papel, desempenho marcante.

Filha de militar, a escocesa Deborah Jane Kerr-Trimmer desde pequena foi uma apaixonada pela obra do vate William Shakespeare, paixão essa que a levou para os palcos do teatro e depois para o rádio, onde foi descoberta e conduzida para o cinema. O sotaque britânico e elegância nas maneiras e gestos a fizeram ganhar papéis de mulheres fortes, refinadas e cheias de confianças. O que sempre combinava com sua pele alva e cabelos ruivos.

Ousada, humanizou a figura da mulher expressando de forma visceral os sentimentos mais reservados do chamado “sexo frágil” ao viver nas telas freiras espirituosas, adúlteras apaixonadas ou solteironas confiantes. Indicada seis vezes ao Oscar, nunca levou a estatueta. Mas para quem tinha talento e beleza acima do bem e do mal, quem precisa de Oscar?

A um passo da eternidade Top five – Deborah Kerr

A um passo da eternidade (From here to eternity, 1953) – O filme de Fred Zinneman é um tapa com película na cara da hipócrita sociedade norte-americana, trazendo a linda Deborah Kerr como a esposa de um militar negligente na cama que busca afago nos braços do subordinado diretor do marido, Burt Lancaster. A cena tórrida dos dois na praia está entre as mais românticas do cinema.

Os inocentes (The innocents, 1961) – Com diálogos adicionais de Truman Capote, o filme é, digamos assim, o avô de fitas como O sexto sentido (The sixth sense, 1999) e Os outros (Los otros, 2001), sendo um dos pioneiros do terror gótico. Na trama, ambientada no século 19, a bela Deborah Kerr é uma governanta metida com criaturas fantasmagóricas numa sombria e suntuosa casa gótica.

A noite do Iguana (The night of the Iguana, 1964) – Aqui ela é uma freira retraída e meio trambiqueira que inferniza a vida de pregador devasso vivido por Richard Burton. A cena em que ela ampara um velho poeta cego é de uma beleza melancólica contundente.

O céu é testemunha (Heaven knows, Mr. Allison 1957) – De novo na pele de uma freira, aqui ela tem que lidar os humores geniosos e ira de um soldado sobrevivente da 2ª Guerra Mundial perdido com ela numa ilha deserta. Comovente a atuação da atriz na sua tentativa van de converter um militar durão.

Tarde demais para esquecer (A affair to remember, 1957) – Dobradinha perfeita entre o galã Cary Grant e a diva escocesa, na trama ambos comprometidos, mas que se entregam a uma emocionante história de amor, até que um trágico acidente põe tudo a perder.

O rei e eu (The king and I, 1956) – Baseado em fatos reais, digamos que esse musical foi responsável por catapultar de vez a diva em Hollywood, aqui na pele de uma governanta durona contratada como preceptora dos filhos do turrão rei de Sião.

* Este texto foi escrito ao som de: (What the story) Morning glory? (Oasis – 1995)

Oasis

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