A 2ª Guerra Mundial no cinema

A fita é de um lirismo visual singular e a metáfora do título algo de beleza sobrenatural

A fita é de um lirismo visual singular e a metáfora do título algo de beleza sobrenatural

Foi curioso ver o presidente russo Vladimir Putin participar, hoje de manhã (09), de parada militar em comemoração à vitória russa na 2ª Guerra Mundial. O polêmico político compunha a linha de frente de um bloco de desfile que tinha, entre os seus integrantes, algum familiar morto ou ferido no conflito. A extinta União Soviética perdeu cerca de 27 milhões de soldados e civis nos seis anos de combate entre 1939 a 1945. Ontem, 8 de maio de 1945, foi comemorado os 70 anos do fim do conflito.

E digo curioso porque a 2ª Guerra Mundial, sobretudo a vitória, foi sempre retratada, esmagadoramente, do ponto de vista dos Estados Unidos ou dos franceses ou ingleses. Está aí o cinema para não me deixar mentir. O que, de certa forma, é uma hedionda pena. Vilões e heróis desses anos de escuridão são sempre protagonistas de grandes e boas histórias em Hollywood como mostra o formidável, O grande ditador (The great dictator, 1940), de Charlie Chaplin, um libelo implacável sobre o humanismo com sua caracterização perfeita de Hitler.

Steven Spielberg, com seu sentimentalismo boboca conseguiu me comover com o triste, A lista de Schindler (Schindler’s list, 1993), de fato uma obra pungente, mas ninguém percebeu, ou com certeza não quis notar que o pretensioso, O resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, 1998), na época foi desbancado, pelo menos moralmente, pelo reflexivo e psicológico drama de guerra de Terence Malick, Além da linha vermelha (The thin red line, 1998). Mas quem é Terence Malick diante da sombra pop de Steven Spielberg?Além da linha vermelha

E que fique registrado nos laudos. Tenho um carinho grande pelos dois projetos ousados de Clint Eastwood sobre os dois lados da 2ª Guerra, A conquista da honra (Flags o four fathers, 2006) e (Letters from Ivo Jima, 2006) e me assombra a personificação do ator Bruno Ganz como o vilão mor Adolf Hitler em A queda: As últimas horas de Hitler (Der Untergang, 2004).

Bem, Casablaca (Casablaca, 1942), Cinco covas no Egito (Five graves to Cairo, 1943), Roma, cidade aberta (Roma città aperta, 1945), A ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, 1957), Hiroshima, meu amor (Hiroshima mon amour, 1959), enfim, a lista de pérolas sobre esse tema que são importantes e me cativam é enorme, e são filmes realizados pela ótica ocidental, mas poucas pessoas (não os cinéfilos de verdade) reconhecem um drama russo chamado, Quando as cegonhas voam (Letyat juravli, 1957), como uma obra-prima do gênero. Quem não viu não sabe o que está perdendo.

Lembro que a primeira vez que vi o filme, se não me engano, foi ali na Cultura Inglesa, graças ao mestre Sérgio Moriconi, um especialista em formar plateia no segmento cultural em Brasília, e saí da sessão em êxtase. Dirigido por Mikhail Kalatozov (?), a fita é de um lirismo visual singular e a metáfora do título algo de beleza sobrenatural.

Como se vê, a história com “H” maiúsculo não é contado apenas pela perspectiva do Ocidente, mas também pelo lado Oriental do globo terrestre. Às vezes, bem melhor do que o lado “oficial”.

* Este texto foi escrito ao som de: The very best of the early years 1968 -1974 (Bob Marley)

Bob Marley

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