Garotas (2014)

Filme francês protagonizado por atrizes negras lança novo rumo sobre temática adolescente

Filme francês protagonizado por atrizes negras lança novo rumo sobre temática adolescente

Em cartaz no Libert Mall, o drama Garotas (Bande de filles, 2014) é bem diferente de tudo o que tenho visto no cinema francês ultimamente. Não que a fita dirigida por Céline Sciamma seja uma novidade temática, mas porque não tenho me aventurado em roteiros mais ousados, deixando-me chafurdar numa confortável ilha de marasmo e clichê. Daí o susto, desconforto e até certa indiferença diante do inusitado.

A fita está longe de ser uma obra-prima, mas não há como deixar se levar pelas agruras de jovens adolescentes africanas que vivem num conjunto habitacional do subúrbio francês. Lá elas têm que lidar com o preconceito das “escravinhas” de shopping e com as surpresas do crime organizado. Leem-se drogas, prostituição e violência. Mas nada disso é mostrado de forma escancarada no filme. Tudo é velado e subtendido e é neste ambiente meio claustrofóbico.

GirlhoodÉ neste ambiente meio claustrofóbico e sem expectativa que vive a retraída Marieme (Karidja Touré), personagem central dessa narrativa. Por não fazer parte do grupo das meninas radicais do bairro, aquelas que coagem as branquelas patricinhas lhe tomando dinheiro e objetos como óculos, ela é vista com desdém e soslaio.

Mas apesar do jeito tímido, ela se esforça para entrar nesse clube da Luluzinha do mal e logo está fazendo tudo o que não é permitido, ou seja, se desfaz do seu cabelo dread, começa a intimidar as colegas de escola e se envolve com o crime organizado, entrando em atrito com o irmão controlador e violento.

Protagonizado por elenco em sua maioria negro, Garotas lança um olhar triste sobre uma parcela da sociedade francesa que passa longe dos olhares do grande público. Uma sociedade esmagada por forte opressão social e cultural. O outro é trazer uma nova abordagem sobre a temática adolescente. Questões como o rito de passagem, o primeiro amor, a perda da inocência e o medo de um futuro incerto estão lá. Mas mostrados de um ângulo que o público convencional não está acostumado a ver.

E a diretora apimenta o debate ao insinuar a dúvida sexual da personagem central. Afinal, ela quer ser homem? E quando o namorado pergunta se ela quer casar com ele desvencilha argumentado que não quer ter filhos e ser dona de casa. “Não quero essa vida de menina”, comenta.

Sei lá, não sei se gostei do filme, mas sugiro que os amigos cinéfilos confiram e tirão suas impressões. Garanto que tem coisa pior no mercado.

* Este texto foi escrito ao som de: Gal canta Caymmi (Gal Costa – 1976)

Gal canta Caymmi 2

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