Kid Vinil – Um herói do Brasil

O cantor, no auge do sucesso com o Magazine nos distantes anos 80

O roqueiro tic tic nervoso, no auge do sucesso com o Magazine nos distantes anos 80

Se você, assim como eu, tem quase 40 anos e gosta de barulho, então com certeza já ouviu falar de Kid Vinil, um dos nomes mais expressivos do rock Brasil. E quem não se lembra dos grudentos versos de canções como Tic tic nervoso e Sou boy? Pois bem, pseudônimo de Antônio Carlos Senefonte, o cantor, radialista, compositor e jornalista paulista acaba de ganhar biografia escrita pelo jornalista Ricardo Gozzi e músico Duca Belintani. Ouvi a notícia outro dia na rádio CBN sobre a obra e estou louco para comprar o livro.

Primeiro porque o artista, importante divulgador do gênero no Brasil, teve papel determinante para que bandas como Ira! e Ultraje a rigor despontassem no cenário local. Segundo por que Kid Vinil foi incansável formado de opinião com seus programas de rádio e televisão, entre os quais se destacam sua participação na MTV. Para se ter uma ideia, bandas e artistas como Belle & Sebastian, Cat Power e o veterano Frank Zappa só chegaram ao Brasil graças a sua generosidade como bandeirante da música.

E de onde veio esse apelido bem sugestivo? Da sua fome de ter discos. Bolachões esses comprados com os trambiques que fazia quando era office boy de uma gravadora. Não é à toa que ele e sua banda Magazine se tornaram ídolos da classe em todo país naqueles distantes anos 80. “Lembro até de um show que fizemos em homenagens a eles”, recordou, em entrevista nostálgica via ondas do rádio. “Ralei bastante nos meus tempos de boy”, contou.Kid Vinil

Além de contar como chegou de office boy a dirigente de gravadora, Kid Vinil, hoje um senhor de 60 anos bem animado e pop, conta passagens interessantes de sua vida como o dia em que Silvio Santos motivou ele gravar a música Tic tic nervoso, os tempos de punk radical na fase da primeira banda, a Verminose, de como quase foi linchado pelos próprios punk por abandonar as calças rasgadas no começo dos anos 80 e aderir à onda New wave, e de como resgatou do limbo e de oportunidade à artistas talentosos e obscuros.

No primeiro caso vale lembrar que foi Kid Vinil quem trouxe de volta Tom Zé aos holofotes ao esbarrar com o explosivo músico baiano num semáforo em pleno centro de São Paulo. “Ele tinha sido redescoberto aqui no Brasil pelo David Byrne, mas nenhuma gravadora queria gravar com ele aqui”, contou Kid Vinil. “Relancei o disco dele que estava fazendo o maior sucesso nos EUA aqui e ele voltou a ter o reconhecimento merecido”, disse, orgulhoso.

Outro caso curioso e surpreendente foi o lançamento da violeira pantaneira Helena Meirelles, então uma senhora já com seus sessenta e tantos anos, que pode gozar dos frutos de seu talento, já no fim da vida. “Soubemos que ela vivia uma vida miserável lá no Mato Grosso e fomos lá saber o que estava acontecendo”, detalhou. “A casa em que ela morava era uma tapera e consegui uma autorização da gravadora para comprar um lugar legal para ela”, revelou, me emocionando.

Bem, depois de ler a biografia do Dado Villa-Lobos, que deve ser lançada essa semana, quero devorar esse título também, senão vou ficar tic tic nervorso.

* Este texto foi escrito ao som de: Magazine (1983)

Magazine

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