Dólares de areia (2014)

O amor proibido, negligente e tropical de Geraldine Chaplin

O amor proibido, negligenciado e tropical de Geraldine Chaplin

Geraldine Chaplin é um encanto de pessoa. E não apenas porque é filha do mestre Charlie Chaplin. Mas porque tem encanto pessoal. Sua simpatia é de uma sinceridade e magnetismo contagiantes. Tive oportunidade de conferi isso quando a entrevistei no ano passado durante o BIFF, Festival Internacional de Cinema de Brasília. Olhos vibrantes e com energia incansável no auge nos seus 70 anos ela segue sua carreira sem parar. Agora ela lança mundo afora o drama dominicano, Dólares de areia, em cartaz no Libert Mall.

Dirigido a quatro mãos pela dominicana Laura Guzmán e o mexicano Israel Cárdenas, o filme espanta e encanta por narrar a inusitada história de amor de uma mulher setentona e uma jovem nativa. Ela é Anne, uma francesa solitária e rica que encontrou neste paraíso caribenho seu oásis de tranquilidade. Sobretudo quando está ao lado de Noéli (a ótima Yanet Mojica), que há anos ciceroneia turista em seu país, sempre dando golpes ao lado do namorado (Ricardo Ariel Toribio).

O amor de Anne por Noéli é sincero e ela sofre quando percebe, sem dizer nada, claro, trancada em seu silêncio tristonho, que tudo que a garota interesseira quer é lhe sugar até o último centavo, negligenciando o que ela tem de mais verdadeiro: seu sentimento e afeto. E é sobre isso que Dólares de areia fala. Sobre solidão entre os homens, a falta de afeto mútuo sem qualquer interesse material. Aliás, a solidão das duas personagens em cena, cada uma a sua maneira, imersas naquela amplidão de areia e mar tropicais, é angustiante.Dólares de areia

Não é a primeira vez que a incansável Geraldine Chaplin filma na América Latina. Anos mais tarde ela havia desembarcado nas selvas boliviana para filmar o drama de Jorge Sanjinés, Para recibir el canto de los pájaros.

No filme da dupla Laura Guzmán e Israel Cárdenas ela faz de tudo. Mergulha soberanamente por águas translúcidas, anda de moto, dança livre, leve e solta ao som da contagiante música local, se entrega ao prazer com uma ousadia dos grandes artistas. “Não sou uma estrela, sou uma atriz que trabalha”, me disse durante a entrevista que fiz em 2014.

A narrativa carregada de elipses e sugestões, deixa no ar, propositalmente, uma série de perguntas óbvias. Ela não diz, mas sabemos por que o filho não conversa com ela e porque ela se preferiu “fugir” para este paraíso tropical. Aliás, o personagem de Geraldine Claplin, que tem eternos olhos tristonhos, quase não fala no filme, mas quem precisa de palavras quando se tem Geraldine Chaplin.

A trilha sonora do filme é deliciosa, assim como o barulho do mar que perpassa toda a trama. Ao sair da sessão, me deu vontade de ir para uma praia no fim do mundo.

* Este texto foi escrito ao som de: Caetano Veloso (1969)

Caetano Veloso

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