O gabinete do Dr. Caligari (1920)

Foi talvez o primeiro filme a abordar o tema da psicanálise

Foi talvez o primeiro filme a abordar o tema da psicanálise, norteando o gênero de terror

Outro dia vi uma cópia tinindo do clássico Metropolis (1922), de Fritz Lang, no Cine Brasília, e fiquei bastante emocionado de perceber o quanto o filme de 1922 ainda continua atual. Uma sensação que me fez viajar no tempo e me recordar do prazer e impacto de assistir, ainda na condição de calouro na faculdade, de O gabinete do Dr. Caligari (Das kabinett des Doktor Caligari, 1920). Tudo isso passou pela minha cabeça ao rever outro dia essa obra-prima do expressionismo alemão numa mostra do Sesc.

Passados quase 100 anos de sua realização, esse registro seminal do cinema ainda mexe com espectador por conta de sua sombria beleza gótica e abordagem psicanalítica. E olha que o cinema na época ainda era uma criança com pouco mais de 20 anos. Também foi um dos trabalhos mais influentes. Basta conferir o visual dark dos meninos do The Cure, passando pelos traços sinistros das animações de terror de Tim Burton. Sem falar o fato de ter meio que lançado bases para o gênero.

Pois bem, dirigido por Robert Wiene, O gabinete do Dr. Caligari chama atenção pelo roteiro moderno da dupla, Carl Meyer e Hans Janowitz, que mescla ilusão e realidade para falar sobre os horrores da república de Weimar e a sombra deixada pelo 1ª Guerra Mundial. Mas mais do que isso, pelo visual distorcido e cubista que capta toda a essência perturbadora dos personagens.Gabinete do Dr Caligari 2

Na pequena Holstenwall, jovem relembra um macabro episódio vivido por ele que tem ligação com lenda nórdica do século 11. É a história do estranho Caligari que chega a uma cidade para apresentar sinistra atração numa feira. Trata-se de um jovem sem alma, chamado Cesare, um sonâmbulo que faz previsões macabras e mais tarde mata várias pessoas sob o efeito de hipnose ao comando de seu superior. A forte maquiagem e os grandes olhos do ator Conrad Veidt até hoje são assustadores.

A metáfora com relação aos efeitos do autoritarismo e tirania tem sobre as massas é algo perturbador, não apenas porque faz referência à república de Weimar, algo recente à época do filme, mas ainda pela presença demoníaca de Hitler algumas décadas depois.

Além de ter causado forte impacto ao cinema, o filme, um dos primeiros trabalhos de arte da sétima arte, com sua abordagem fantástica e surrealista, mexeu com os estertores da cultura, cunhando o neologismo “caligarismo”, que tem a ver com as obras de artes em todos os segmentos que expões as distorções visuais advindas de um extravasamento emocional. A arte abstrata é um bom exemplo disso.

Uma obra-prima eterna.

* Este texto foi escrito ao som de: A saucerful of secrets (Pink Floyd – 1968)

Saucerful of secrets

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