E são os melhores do mundo?

A trupe em apresentação ao vivo no dia do aniversário de Brasília

A trupe em apresentação ao vivo, no Multishow, no dia do aniversário de Brasília

Fui ver a apresentação dos melhores do mundo ao vivo no canal, Multishow, na última terça-feira (21/04), dia do aniversário de Brasília, mas confesso que não fiquei muito animado, não. Gostei, ri de muitas coisas, mas achei que eles fossem melhores do que imaginava minha vã expectativa, sobretudo porque eu nunca tinha visto nada deles por inteiro, apesar dos 20 anos de estrada. Talvez porque eles sejam os “melhores do mundo”. Mas acho que não, na verdade é que um pouco da autenticidade do grupo se perdeu nessa apresentação, no Vivo Rio, por conta das inúmeras participações afetivas. Afetivas e indispensáveis, como a do chato e superestimado Rafinha Bastos.

O espetáculo? Claro, o clássico da trupe, ou seja, a montagem Hermanoteu na terra de Godah, onde eles fazem uma série de paródias com passagens da Bíblia como a travessia do Mar Vermelho e o episódio da Santa Ceia. O divertido são as piadas contextualizadas e críticas com relação à realidade política brasileira, não sobrando farpas para políticos como José Sarney, Eduardo Cunha e até o pastor Crivella. “Qualquer um pode ser senador no Brasil! Se até o pastor Crivella é?!”, ironizam.

Não há dúvidas de que a força do grupo formado por seis integrantes, um deles uma mulher, Hermano teu na terra de Godah 2Adriana Nunes, está na unidade. E tanto que essa unidade funciona que os melhores momentos das apresentações do grupo estão nas improvisações. Mas prefiro destacar aqui os meus preferidos, pela ordem: Jovane Nunes, na condição de principal autor dos textos, Ricardo Pipo, pela bela voz de radialista e simpatia, e o melhor de todos em minha opinião, Welder Rodrigues, aquele que melhor personifica e verbaliza as piadas e isso se deva, talvez pela espontaneidade nata do guri. Ele fazendo o último hebreu que acaba virando um súdito da rainha do Egito é impagável.

“Moisés estadista, se apoia no cajado e diz aquela frase linda que eu nunca mais vou me esquecer: corre cambada!”, esculhamba.

Agora o que me incomodou foi a enxurrada de palavrões gratuitos entre um esquete e outro. E digo isso sem o menor puritanismo ou hipocrisia. Mas pelo simples fato de achar feio. Daí a sofisticação do humor de Woody Allen e os irmãos Marx, sem falar do mestre Charlie Chaplin, que por sinal, nem falava. Acho que esse não era o estilo do mestre Chico Anysio, que por sinal, os idolatravam.

Posso estar enganado, mas acho exagero essa conversa de que eles renovaram o humor brasileiro. Deram um fôlego a mais, numa época de marasmo total, e só. Eles podem até ser os melhores do mundo para muita gente, não para mim. Mas isso não diminui em nada o carinho que sinto por eles, também o respeito.

* Este texto foi escrito ao som de: Elis Regina Especial (1979)

Elis Regina Especial

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