Os 55 anos de Brasília

JK com Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro e Lúcio Costa, os homens que levantaram a nova capital

JK entre Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro e Lúcio Costa, os homens que levantaram a nova capital

Minha relação com Brasília vem dos tempos de guri, quando ia passar as férias do meio do ano na casa dos meus primos paternos. Ficávamos ali no Guará II, um pouco distante dos faraônicos e deslumbrantes prédios de Oscar Niemeyer, das largas e espaçosas vias de Lúcio Costa. Com o tempo, fui assimilando essa engenharia moderna arquitetada pelos dois mestre e a importância do pesidente Juscelino Kubitschek, o fundador, para o surgimento da nova capital no coração do Brasil.

Hoje Brasília faz 55 anos e, apesar das roubalheiras, da corrupção, da imagem negativa que a cidade passa para o resto da nação, sinto e tenho orgulho de morar nessa cidade que escolhi para trabalhar e viver.
O astronauta russo Iuri Gagarin tinha razão. “Brasília é um lugar de outro mundo”. Em todos os sentidos. Mas, sobretudo, pela imponente e única arquitetura. Eu amo Brasília por isso. E pensar que a construção de Brasília quase não saiu do papel… JK, que desde os tempos de deputado sonhava em interiorizar a capital do Brasil (a ideia inicial era que ela fosse construída no Triângulo Mineiro), sofreu forte oposição com relação a empreitada.

Getúlio Vargas foi um deles, quando, em 1953, lhe perguntaram se ele toparia levar a capital para o interior Logo Governo de Brasilia_cor abril2015 horizontal_Fdo Rio de Janeiro. “Mudar pra quê? Pra onde?”, resmungou, para depois emendar. “Mas isso ficaria muito caro”, disse, diante do argumento de que teria que construir duas pistas de autoestrada ligando o Rio de Janeiro ao interior.

Quando lhe disseram que o projeto ficaria na casa dos $ 200 milhões de dólares foi taxativo. “Deus me livre!!”, reclamou.

Um dos ministros ainda tentou ponderar dizendo que, se ele não fizesse isso, um outro presidente faria. Ao que ele disse: “Só ser for um maluco!”.

E esse maluco seria o presidente Juscelino Kubitschek, que três anos depois essa conversa de Getúlio Vargas com seus assessores, no Palácio do Catete, construiriam uma cidade a 1 200 km do Rio de Janeiro, no meio do sertão goiano.

O que me encanta em Brasília, claro, é o Plano Piloto e sua vassidão de deserto. Parece até um cenário dos filmes do Antonioni. A desolação do cerrado é algo que me emociona. Há quem diga que as distâncias e o concreto torna a cidade fria, mas essa conversa é uma balela ululante e patética.
Brasília, assim como toda cidade, tem alma. A sua maneira, claro, mas é um lugar que desperta qualquer tipo de emoção nas pessoas. Não há como ficar indiferente à sua imponência.

Brasília amo você.

* Este texto foi escrito ao som de: Legião Urbana (1985)
Legião Urbana - 1985

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s