Grandes astros do cinema – Paul Newman

Penetrantes olhos azuis do rei o cool, mesmo em preto e branco...

Penetrantes olhos azuis do rei o cool, mesmo em preto e branco…

Outro dia falei que Montgomery Clift era a terceira linha entre Marlon Brando e James Dean e a pergunta que faço agora, de si para si é, e Paul Newman? Ora, Paul Newman surgiu nos anos 50 no rastro de Marlon Brando e James Dean, mas conseguiu se sobressair e vencer, apesar dos lindos e penetrantes olhos azuis, tornando num dos maiores talentos do cinema de todos os tempos. E não só isso, mas também no rei do cool. E era mesmo.

Newman, que começou a carreira como ator cedo, aos 7 anos, no papel de bobo da Corte numa peça sobre o lendário personagem Robin Hood, era visto com desdém pelos produtores que não acreditavam que ele pudesse fazer papéis viris. De modo que suas primeiras atuações nas telonas foram em comédias românticas ou tramas religiosas, como no obscuro O cálice sagrado, que ele se envergonhou a vida inteira de ter feito.

Para desvencilhar desse estigma, numa época em que Hollywood tentava emplacar imagem de sofisticação e bom-mocismo, correu na contramão do sistema, interpretando personagens marginalizados, à margem da sociedade, sempre perdidos em conflitos de natureza existencial ou cultural. Dessa safra destaca-se o contundente Hud, na pele de um filho ingrato e cheio de mágoas com relação ao pai autoritário e conservador.

Daltônico, apesar dos belos olhos azuis, o ator, que abortou o sonho de ser piloto da Marinha, durante a 2ª Guerra Mundial, foi uma das estrelas do Actors Studio, de Nova York, despertando atenção por despenhos marcantes em fitas como Gata em teto de zinco quente (Cat on a hot tin roof, 1958) e (The Hustler, 1961). As personas que encarnavam traziam na essência um forte espírito de revolta, enfatizando uma luta interior contra o mundo.

Reservado na vida privada, Paul Newman era um amante do automobilismo e na década de 80 criou uma empresa no ramo de produtos alimentícios, cuja parte da renda era revertida em projetos filantrópicos. Morreu aos 83 anos, vítima de câncer. Íntegro na vida pessoal e gloriosa carreira profissional. “Gosto de automobilismo porque não há discussão quem é o melhor: ganha quem recebe a bandeirada primeiro”, disse certa vez, implicado com o Oscar.

Top five – Paul NewmanHud

Hud (1963) – O anti-herói americano por excelência. Aqui ele é Hud (O indomado), o filho de um conservador e respeitado fazendeiro em eterno conflito com o coroa. Não é apenas a luta de um homem contra a família, mas o sistema. A crueza da narrativa, juntamente com a fotografia melancólica e metálica de James Wong Howe a trilha incisiva de Elmer Bernstein é um sundae.

Gata em teto de zinco quente (1958) – Talvez um dos melhores textos do dramaturgo Tennessee Williams adaptado para o cinema. A atuação da dupla Liz Taylor e Paul Newman é perfeita. Ela na pela da mulher cheia de desejo diante do marido impotente. No filme por causa de um acidente. Mas no texto original por ser homossexual. Precisa dizer mais?

Butch Cassidy e Sundance Kid (1969) – Um dos filmes mais bem sucedidos da carreira do ator traz ele em cena ao lado do amigo Robert Redford, como dois bandidos cheios de charme e glamour. É mágica a cena do idílio campestre na famosa cena de bicicleta ao som de Raindrops keep fallin’ on my head.

Golpe de mestre (1973) – Novamente sob a batuta do diretor George Roy Hill, a dupla Paul Newman e Robert Redford voltam à bala agora como dois aventureiros que tentam aplicar um golpe em famigerado gangster. De longe os dois mais famosos e carismáticos vigaristas da história do cinema.

Estrada para perdição (2002) – Um dos últimos papéis do ator, aqui ele é um gangster poderoso que testa os conhecimentos e fidelidade do pupilo vivido por Tom Hanks. Uma espantosa atuação de um astro em final de carreira.

* Este texto foi escrito ao som de: Storytelling (Belle & Sebastian – 2001)

Storytelling

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