O campo de batalha no CCBB

Peça discute a fragilidade do diálogo nos dias de hoje

Peça co-dirigida por Lázaro Ramos, discute a fragilidade do diálogo nos dias de hoje

O que chama atenção logo de cara na peça O campo de batalha, em cartaz no CCBB Brasília até 17 de maio, é a presença de atores negros em cena como protagonistas. No caso aqui, Rodrigo dos Santos e Aldri Anunciação, este último autor do texto. Tal observação pode parecer boboca, mas comprova, numa observação assim por alto de que, até na cultura – e no caso aqui num espaço mais fechado ainda, o teatro – a presença negra ainda é parca.

Enfim, com direção do diretor baiano Márcio Meirelles e co-direção de Lázaro Ramos e Fernando Philbert, a trama gira em torno de dois soldados em lados opostos do front durante a 3ª Guerra Mundial. Com a crise global eles acabam sem munição e diante do que fazer, de como proceder, acabam se estreitando relações. “Como você se sente em ser o último herói da face da Terra”, ironiza um deles, ao constatar que o inimigo guarda ainda uma última bala.

campodebatalhaMas o clima de guerra continua até mesmo quando eles conversam casualmente porque começam a a confrontar ideias e aí está a sutileza do texto em expor a questão da fragilidade do diálogo nos dias de hoje. O que o autor e os atores fazem com muito bom humor em cena. E a medida que a guerra verbal se acirra, os dois inimigos são interrompidos pela “Voz da Guerra”, interpretada pela atriz Fernando Torres.

“Chegamos a um ponto onde provocam-se ‘combates’ por questões mínimas. Acho que a sociedade precisa de uma pausa para refletir sobre suas ações”, comentou recentemente o autor e ator Aldri Anunciação, que já havia escrito em 2011 a peça Namíbia, não!

A premissa futurista com a eminência de uma terceira guerra mundial no cenário atual é divertida, mas ao mesmo tempo perturbador, tendo em vista a fragilidade do diálogo nos dias de hoje. O cenário é de uma simplicidade única, com os dois atores duelando numa gangorra lúdica que remete também a infantilidade da situação em cena. Um enorme telão onde é exibido várias cenas de guerras do passado dá um aspecto de multimídia à montagem que prima pelo poder da palavra.

Um dos atores mais versáteis de sua geração, o ator Lázaro Ramos tem se revelado e multiplicado em vários segmentos. Além do cinema e da televisão, também atua como entrevistador no programa Espelho, do Canal Brasil. No teatro, onde já interpretou vários papéis, faz agora sua segunda participação como diretor após a estreia no posto em Namíbia, não! Tem tudo para trilhar um novo e vitorioso caminho nesse segmento. E com a vantagem de colocar em evidência atores e temas voltados para a questão do negro.

* Este texto foi escrito ao som de: Rock ‘n’ sugar Darling (Thiago Pethit – 2014)

Pethit

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