O fantasma da ópera – Gaston Leroux

Sempre fui fascinado por aquela figura de casaca, máscara e melancolia solitária

Sempre fui fascinado por aquela figura de casaca, máscara e melancolia solitária

É o que eu sempre digo. Na dúvida, leia os clássicos. Bom ou ruim, um dia eles vão salvar sua vida. E eles chegam a suas mãos da maneira mais estranha, inusitada e diferente possível. Por exemplo, no momento estou lendo O fantasma da ópera, do francês Gaston Leroux, por conta de uma animação da Disney. E qual animação da fábrica de sonhos de Walt Disney teria ligação com trama macabra, diria que até bizarra? A bela e a fera, evidentemente. E acho que tem a ver com a premissa, aparentemente, grotesca da trama.

Trama essa que teve inúmeras adaptações para o cinema e se transformou em um dos maiores fenômenos da Broadway. Mas antes que eu escreva qualquer coisa sobre esses detalhes, é bom dizer que o autor acreditava piamente em fantasmas. A ponto de ter convicção de que seu corpo era habitado por uma espécie de ser espectral.

“O Fantasma da Ópera existiu, não é produto de imaginação. Existiu em carne e osso, embora com todas as características de um fantasma”, comenta o escritor no prefácio da obra.

Phantom of the OperaTalvez imbuído dessa ideia que ele tenha sido motivado a escrever este que é um dos clássicos da literatura de terror publicado em 1910. O enredo mescla romantismo e suspense. Diretores da Ópera de Paris, Armand Moncharmin e Firman Richard foram surpreendidos com um documento dos antigos proprietários da casa de que o lugar é mal-assombrado. Isso porque, para tocar o negócio, eles serão obrigados a obedecer às regras de certo Fantasma da Ópera, assustadora criatura que, em noites de apresentações, inferniza a vida do público e artistas de sucesso. “Como bom fantasma não fazia barulho”, observa o narrador.

Entre as estrelas da casa que são fustigados por essa medonha ameaça está a jovem Christine Daaé, dona de voz singular que rouba a cena da aclamada artista Carlota, ao substituí-la numa representação de obra-prima de Goëthe. “Em nada se compara às notas que ela emitiu na cena da prisão do trio final de Fausto (…). O Teatro a aplaudiu de pé”, notam-se.

A partir desses dois importantes momentos da trama o leitor é convidado a embarcar numa aventura amorosa marcada por paixões impossíveis e passagens de triste angústia cujo desfecho eu ainda não sei por que ainda não sai do terceiro capítulo do livro.

Disse livro e agora me refiro ao cinema já que este texto de Gaston Leroux foi adaptado para o cinema pelo menos umas 20 vezes e com dezenas de versões para o palco. A mais célebre dela na Broadway, alçada a condição de eterno sucesso pelas mãos do mítico Andrew Lloyd Weber. Eu particularmente não vi nenhuma delas.

Não vi nenhuma história do Fantasma da Ópera tanto no cinema, quanto no teatro, mas conheço sua sinistra figura de trailer e desenhos, a ponto de ter ficar fascinado. Afinal, não é todo dia que se vê por aí um fantasma de casaca mascarado, andando pelos bastidores de um teatro como uma sombra, sem falar com ninguém ou deixar vestígios. E tem a questão do amor não correspondido, platônico, que ele sofre e, do qual, eu me identifico, categoricamente.

Às vezes acho que sou uma espécie assim de fantasma do amor.

* Este texto foi escrito ao som de: Girls in peacetime want to dance (Belle and Sebastian – 2015)

BS5

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