Musas do cinema – Greta Garbo

A atriz na mítica cena final de "Rainha Cristina", um de seus melhores trabalhos

A atriz na mítica cena final de “Rainha Cristina”, um de seus melhores trabalhos

Greta Garbo era misteriosa como uma esfinge, bela como uma estátua de mármore e indestrutível como mito do cinema. Talvez um dos mais imponentes de Hollywood. E a explicação esteja no fato de que ela deixou que sua imagem nas telas se cristalizasse cedo, aos 36 anos, quando abandonou de vez a sétima arte e passou a se esconder do mundo atrás de óculos escuros e grandes e elegantes chapéus. “Eu quero ficar sozinha”, justificou.

Uma das mulheres mais belas e desejadas do mundo, Greta Garbo escondeu o resto de sua vida na St. East 52, em Nova York, adotando o nome de Harriet Brown e se dedicando à jardinagem. “Parece haver uma lei que rege todas as nossas ações, então nunca faço planos”, explicou certa vez.

Nascida Greta Lovisa Gustafsson, em setembro de 1905, na fria Estocolmo, a atriz fez muitas coisas antes de se tornar um dos rostos mais famosos de todos os tempos. Mas o que selou, definitivamente, seu passaporte para o estrelato no cinema, foram os inúmeros filmes publicitários que realizou para lojas de departamentos da capital sueca.

Após dois anos estudando arte dramática na Academia Real de Teatro Dramático, foi descoberta pelo diretor finlandês, Mauritz Stiller, que a dirigiu em A rua das lágrimas (1925), filme que encantou tanto o poderoso magnata da MGM, Louis B. Mayer, que este contratou os dois. Mas o começo em Hollywood não seria fácil. A primeira dificuldade seria a língua, que ela imprimiu certo charme exótico britânico que mexeria com homens do mundo inteiro.

Dotada de “it”, logo Greta Garbo foi conquistando seu lugar ao sol, despertando atenção pela eterna beleza clássica. Tenho excitação pela voz grossa da atriz, os olhos tristonhos e o enigmático sorriso de Mona Lisa. O poeta gaúcho, Mário Quintana, quem entende do assunto, não passou despercebido ao charme da diva escandinava, o registrado nos seguintes versos: “O teu sorriso é imemorial como as Pirâmides/E puro como a flor que abriu na manhã de hoje…”, escreveu corretíssimo.

CamilleTop five – Greta Garbo

Rainha Cristina (1933) – Não resta dúvida de que este é um dos maiores filmes da atriz, aqui na pele da rainha sueca que, no século 17, enfrentou a corte e a população de seu país para viver um grande amor. Esperto e sutil, o diretor Rouben Mamoulian carrega nas cenas ambíguas, em que ela surge vestida de homem. O final é uma aula de interpretação, com o semblante da atriz prestando a todas as leituras, onde, aparentemente não acontece nada.

Grande Hotel (1932) – No filme ela é a triste e linda bailarina Grusinskaya, uma das várias personalidades que ajudam a contar a história do mítico hotel do título, um espécie de lugar-refúgio, lugar-exílio, aonde as pessoas vão e vem, escondendo suas angústias, frustrações e sonhos. Foi nessa fita dirigida por Edmundo Goulding que a atriz iria vaticinar a famosa frase que marcaria seu estilo de vida. “Eu quero ficar sozinha.”

A dama das Camélias (1936) – Não tenho a menor vergonha de dizer que chorei horrores quando vi essa fita pela primeira vez, completamente inconformado com o triste fim da bela cortesã Margarite Gauthier, Garbo em atuação dramática soberba. Foram feitas muitas versões dessa história, uma excelente com a elegante Isabelle Huppert, mas não igualável a essa obra-prima de George Cukor.

Ninotchka (1939) – Famosa por seus papéis dramáticos, sempre com o semblante tristonho, Greta Garbo aqui escandaliza o mundo ao mostrar o seus dentes. Daí um dos slogans do filme apelar para a frase: “Greta Garbo ri”. Na trama assinada pelo então novato roteirista e futuro brilhante cineasta Billy Wilder, ela é uma soldada russa que se encanta com as belezuras do mundo capitalista em Paris.

Mata Hari (1931) – A célebre e enigmática espiã da 1ª Guerra Mundial Mata Hari só poderia ser vivida com glamour nas telas pela cativante atriz. A dança estilizada protagonizada pela diva nórdica está entre um dos momentos mais deslumbrantes do cinema.

* Este texto foi escrito ao som de: …Em pelno verão (Elis Regina – 1970)

Elis Regina

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