Amor à primeira briga (2014)

Paixão à base de treinamento e sopapos...

Comédia dramática explora com delicadeza inusitada o respeito ao próximo

O cartaz não ajudava. O título boboca em português menos ainda. Mas mesmo assim, com aquela fé que todos os cinéfilos carregam dentro de si, lá fui lá eu encarar o filme francês numa daquelas simpáticas salas do Libert Mall. É a história de amor entre uma menina burguesa marrenta e um jovem carpinteiro cheio de personalidade. Ela é Madeleine (Adèle Haenel), assim mesmo, escrito como a bolacha de Proust. Ele Arnaud (Kévin Azaïs) e acabou de perder o pai. Na funerária, junto com o irmão mais velho se revolta com o preço do caixão. O argumento é simples. O valor não é condizente com o material. Daí eles vão para a marcenaria do velho e começam a fazer o próprio caixão do pai.

Só que eles não usam o caixão para enterrar o pai e esse detalhe não tem nada a ver com o desenrolar da trama, mas convenhamos, é um bom começo de um filme, apesar do cartaz nem um pouco atraente e título em português boboca. Prefiro a ironia do título original: Os combatentes.

CombatentesDaí ele conhece Madeleine na praia, numa roda de exercício de alto defesa promovido pelos paraquedistas e no começo faz feio, perde o primeiro confronto, apela e morde a menina. E quem não resiste a uma mordida? Ela se apaixona, mas não sabe ainda, sentimento que vem à tona quando o rapaz, em parceria com o irmão, vai fazer uma obra na casa de Madeleine. Pronto, é dado o start do relacionamento quando ele lhe presta um favor ao ajudá-la alistar no exército.

O lance é que ele também está apaixonado mas ainda não sabe ou pelo menos não quer dar o braço a torcer. Por isso, por impulso, acaba se alistando no exército também e junto com a amada vai viver um amor amparado pelas técnicas de sobrevivência. Um situação e ambiente inusitado para algo do tipo acontecer, mas é justamente nesse ponto que o diretor ganha o público. Poderia ser algo na linha Meu primeiro amor, o clássico filme dos anos 80 com Macaulay Culkin, mas os beijos rolam entre treinamentos e sopapos.

Destaque da premiação do Festival de Cannes, onde abiscoitou os principais prêmios na Quinzena dos Realizadores e o César de melhor filme de estreia, Amor à primeira briga é um filme singelo sobre o respeito ao próximo. Seja esse respeito numa relação de amizade ou de amor. O ingrediente surpresa inserido na narrativa, com aquele clima de fim do mundo, só enriquece ainda mais o filme que é uma espécie assim de casulo que se transforma numa bela borboleta do meio da fita para o fim.

* Este texto foi escrito ao som de: Seal (1991)

Seal

Anúncios

Um comentário sobre “Amor à primeira briga (2014)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s