Grandes astros do cinema – Montgomery Clift

De beleza melancólica, o ator foi uma espécie de 3º entre James Dean e Marlon Brando

De beleza melancólica, o ator foi uma espécie de 3º entre James Dean e Marlon Brando

Ator sensível, emocional e dono de uma beleza melancólica rara, Montgomery Clift tinha talento singular que mexia tanto com mulheres, quanto com homens, fazendo dele uma espécie de terceira via entre a rebeldia sem causa de James Dean e a intensidade cerebral de Marlon Brando. A ambiguidade sensual e psicológica com que adornava seus personagens, aliada a um charme carente irresistível, tanto no papel de mocinhos ou vítimas, fazia com que muitas mulheres quisessem levá-lo para casa. Alguns homens também.

Nascido em Omaha, Nebraska, em outubro de 1920, Montgomery Clift começou na carreira de ator aos 13 anos, na Broadway, onde ficaria por dez anos. Em Hollywood, a estreia não poderia ter sido mais promissora, em 1948, no denso Rio vermelho, junto com John Wayne, que fazia um protetor cruel com seu filho adotivo.

Foi um dos melhores, senão o maior amigo da atriz Elizabeth Taylor, da casa de quem, numa noite de 1956, saiu após uma festa para se esborrachar bêbado num poste de telefonia. Com o belo rosto desfigurado – mesmo depois de inúmeras plásticas -, deu início aquela cruzada que muitos críticos chamariam de o “suicídio mais longo vivido em Hollywood”.

Drama potencializado pelo conflito que tinha quanto sua orientação sexual e do preconceito que sofria entre os seus pares. Para fugir desses fantasmas que o assombravam a vida inteira, mergulhou de cabeça no álcool e nas drogas, adotando um estilo autodestrutivo que o mataria aos 45 anos, em 1966. Durante as filmagens de Os desajustados (1961), a diva Marilyn Monroe, que passava por sérios problemas emocionais, deixou escapar o seguinte comentário: “A única pessoa que conheço que está pior do que eu”, disse.

Top Five – Montgomery CliftI confess

Um lugar ao sol (1951) – Ao lado de grandes do cinema – a diva Liz Taylor e o diretor George Stevens -, Clift é aqui um jovem ambicioso que é capaz de fazer qualquer coisa para subir na vida. Inclusive matar. A sensibilidade temperamental com que trabalha seu personagem faz com que o espectador entenda seus atos e até torça por ele no final.

Rio vermelho (1948) – Talvez tenha sido uma das estreias mais impactantes de Hollywood. E também uma das mais problemáticas, já que John Wayne se sentiu incomodado de protagonizar com um homossexual em cena. Daí os tabefes que ele dava em Clift, na trama seu filho adotivo problemático, serem bem reais. Anos mais tarde, quando o diretor Howard Hawks, chamou o ator para atuar em Onde começa o inferno, ele declinou categoricamente. O papel ficaria com Dean Martin.

A tortura do silêncio (1953) – Com um quê de Nelson Rodrigues, nessa trama baseada em polêmica peça francesa Clift é um padre dedicado que vira suspeito de um crime bárbaro por não violar o voto de confissão. Sua situação se complica quando também passa a ser visto como possível amante de uma antiga namorada. Incrível a carga psicológica com que o ator imprime ao seu personagem.

A um passo da eternidade (1953) – Clift quase rouba a cena aqui de Burt Lancaster e Frank Sinatra na pele do soldado Prewitt, outrora um campeão de boxe que se nega a voltar aos ringues para ajudar a equipe do pelotão. A força do personagem se deve a atuação devotada do ator.

De repente, no último verão (1959) – Na trama baseada em texto de Tennessee Williams o ator vive um brilhante e jovem neurocirurgião usado pelo diretor do hospital em que trabalha como isca, quando o apresenta a excêntrica e desmiolada milionária, Violet Venable. O texto denso e conflituoso do dramaturgo é um sundae para boas atuações e a dupla Montgomery Clift e Liz Taylor dá um show.

* Este texto foi escrito ao som de: Amnesiac (Radiohead – 2001)

Radiohead_-_Amnesiac

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