Em um pátio de Paris (2014)

Katherine Deneuve e Gustave Kervern são personagens vítimas da depressão

Katherine Deneuve e Gustave Kervern são personagens vítimas da depressão

Eu ia escrever sobre o filme do Win Wenders que fala sobre o Sebastião Salgado, mas achei muito pesado, com aquela exposição gratuita de imagens fortes sobre africanos morrendo de fome na Etiópia. Então resolvi falar sobre depressão, tema da comédia dramática, Em um pátio de Paris. Trata-se de um filme simples e de uma tristeza contundente estrela pela sempre charmosa Catherine Deneuve.

Aqui ela é Mathilde, uma setentona que inferniza a vida do marido com a história de que o prédio em que vive está para desabar a qualquer momento. Isso porque a construção antiga de Paris foi construída sobre um terreno arenosa, ela descobre. Mas o protagonista da trama é o ótimo Gustave Kervern, que vive um roqueiro que larga tudo para ser zelador. A motivação para tal é uma depressão, doença silenciosa que ele combate se drogando.Em um pátio de Paris

“Na verdade, aquilo que me acalma acaba comigo”, reflete pragmático.

Mathilde, que é tratada com desprezo e desespero pelo marido, também sofre de depressão o que faz o marido a ameaçar de interná-la. Ao encontrar com Antoine (Gustave), e seu jeito pacato e afável de levar a vida, os dois se conectam numa amizade sincera regada a surpresas tristes. “As mentiras daqueles que nos amam são as mais belas declarações de amor”, diz a personagem de Catherine Deneuve, após o desfecho amargo dessa relação.

A leveza com que o diretor e co-roteirista Pierre Salvadori  aborda o tema é comovente. A singela da direção de atores idem. Mais ainda a forma sutil com que o diretor mescla dramas e momentos cômicos, ainda mais para falar de um problema que atinge milhões de pessoas em todo o mundo. A cena em que Mathilde e Antoine pedem para visitar a casa da infância dela hoje habitada por outras pessoas é impagável. De repente, lá está ela furiosa com os atuais proprietários por eles terem cortado o grande carvalho que ficava no quintal.

“Por que você fez isso, mamãe!”, se desespera uma das filhas, concordando com a estranha histérica.

Um daqueles filmes de produção pequena, mas intenso em sua narrativa humanista.

* Este texto foi escrito ao som de: Ok computer (Radiohead – 1997)

Ok computer

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