Physical Graffiti (1975)

Com o álbum 40rentão o Led Zeppelin se consolidou de vez como a maior banda de rock pesado

Com o álbum o Led Zeppelin se consolidou como a maior banda de rock pesado

Outro dia saí do interior de Goiás rumo a Brasília e, num percurso de 150 km, gastei exatamente o tempo de um disco do Led Zeppelin. Qual álbum? Physical Graffiti, claro, o formidável registro duplo da banda inglesa que neste início de ano completa 40 anos de estrada. E já vou dizendo que confesso que demorei muito tempo para digerir esse trabalho. Acho que fiquei um pouco assustado com sua diversidade, grandiosidade e riqueza sonora, que fugia um pouco daquela unidade dos três primeiros discos do grupo e do clássico, Led Zeppelin 4, o que tem Stairway to heaven. Physical Graffiti lembra um pouco o álbum Branco dos Beatles. Com a diferença de ser um álbum duplo com quatro bolachões cheio de mistério.

A capa é a mais urbana e obscura de todas já realizada pelos quatro integrantes, com suas mensagens cifradas e referências à cultura indiana, ocultismo e tudo o mais. Quer ver? Se você olhar bem, irá notar na fachada do edifício St. Mark’s Place (Nova York), meio que num jogo de amarelinha, palavras como Pig e Graf, essa última, uma referência às aeronaves do início do século 20. O que eles quiseram dizer com isso não tenho a menor ideia.

Um sucesso de crítica e público que ao longo dos anos virou objeto de culto não apenas entre fãs apaixonados, mas especialistas, Physical Graffiti, como toda obra-prima, emergiu do caos. Na época todos os integrantes estavam mergulhados em seus vícios e alguns amargavam tragédias pessoais, como o vocalista Robert Plant, que perdeu o filho de cinco anos vítima de uma rara infecção de estômago.

Physical GraffitiO disco começou a nascer com a composição de oito longas canções gravadas após o sucesso de House of the Holy (1973). Sete outras faixas vieram de sobras de trabalhos anteriores e o resto é história.

A magnitude dos arranjos espanta em faixas como Kashmir e a mística In the light, evocando instrumentos indianos e sonoridade macabra. “E se você sentir que não pode continuar/Sob a luz você encontrará o caminho/(…) Todo mundo precisa da luz”, canta Robert Plant com voz distorcida.

Na crua Bron-Yr-Aur, Jimmy Page exibe seu virtuosismo de violonista folk da maneira mais simples possível. A violência singela de In my time of dying, turbinada por guitarras distorcidas e bateria forte, é um passeio pessoal sobre o tema da morte cheio de evocações bíblicas. “Quando minha hora chegar/Não quero ninguém de luto/Só o que quero que faça é que levem o meu corpo para casa”, diz um dos trechos.

Contudo, a faixa que mais mexe comigo não tem nada a ver com o estilo explosivo condensado pela banda, a viajante, Down by the seaside, com seus falsetes gostosos e órgão retro. Nela é nítido o flerte da banda que consolidou o estilo hard rock com o rock progressivo, por exemplo. Em Trampled under foot John Paul Jones, o mais músico dos quatro integrantes, dá um aceno simpático ao vibrante som da Motown, prestando homenagem ao ídolo Stevie Wonder.

É por tudo isso que estou esperando ansioso o lançamento, aqui no Brasil, de uma edição especial do álbum trazendo, entre outras coisas, um disco só de extras.

Uma pena que, após esse tour de force, a banda começou a perder a força, parando de vez com a trágica morte do baterista John Bonham, em 1980, após se afogar em seu próprio vômito. Como diz o trecho de uma das letras mais famosas do rock. “Nem tudo que brilha é ouro.”

* Este texto foi escrito ao som de: Physical Graffiti (Led Zeppelin – 1975)

Physical Graffiti 2

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