Musas do cinema – Simone Spoladore

A atriz em cena clássica de "Lavoura Arcaica", sua estreia num longa-metragem...

A atriz em cena clássica de “Lavoura Arcaica”, sua estreia num longa-metragem…

Foi durante os bastidores de uma edição do Festival de Brasília. De repente, após alguns drinks, lá estava eu nos braços da Simone Spoladore, bailando na frente de todo mundo. Nervoso, pisei em seus pés de princesa da Disney algumas vezes. Por um momento, achei que estivesse sonhando, mas no dia seguinte, ao abri minha edição da Cosac Naify de Esperando Godot, do Samuel Beckett, lá estava uma dedicatória singela dela para mim. Até hoje, quando me lembro disso tudo, dá um click aqui dentro do meu coração. Da última vez que a vi em Brasília, de cabelo curtinho e louro, também senti um click em meu coração. De modo que, se tenho uma musa no cinema brasileiro ela se chama Simone Spoladore.

Pele alva, olhos de ressaca, lábios delicados e aquela áurea meio blasé de atriz européia. Foi assim que essa atriz curitibana de 35 anos conquistou meu coração. E a primeira vez que a vi no cinema foi justamente bailando feericamente nos minutos iniciais de Lavoura arcaica (2001). Depois me encantei por ela na minissérie, Os Maias, adaptação de Eça de Queiroz no qual ela faz a lasciva cortesã Maria Monforte.

Uma atriz de princípios, Simone Spoladore não é um rosto fácil na televisão, isso porque, avessa ao glamour, prefere privilegiar os instintos profissionais ao sucesso. “O bom ator também está nas escolhas que faz”, disse certa vez.

O que ela gosta de fazer mesmo é cinema, mas como boa curitibana que é, foi no teatro que a atriz começou a carreira e é lá que ela, volta e meia, se realiza como profissional. O primeiro papel foi aos 16 anos, interpretando uma adolescente pervertida na comédia Meno male, de Juca de Oliveira. A consagração aconteceu atuando em peças do ousado diretor e amigo, Felipe Hirsch.

Sensível e inteligente, ela já revelou algumas vezes que a personagem dos sonhos é Ofélia, de Hamlet. Acho que tem tudo a ver não apenas com sua beleza clássica, mas também com espírito inquieto e ousado da atriz.

Top Five – Simone SpoladoreDesmundo

Lavoura arcaica (2001) – A atriz estreou em longas-metragens com o pé direito, na pela de uma filha de imigrantes libaneses que tem uma relação incestuosa com o irmão na elegante adaptação da obra homônima de Raduar Nassar pelo diretor Luiz Fernando Carvalho. É deliciosa a forma com que ela mescla ingenuidade e lasciva num mesmo personagem.

Desmundo (2003) – A melancolia dos olhos languidos da atriz explode o tempo todo na tela aqui ao encarnar a sofrida personagem Oribela, uma órfã portuguesa obrigada a casar com o colono Francisco de Alburquerque.

Alice (2005) – Curta-metragem dirigido por Rafael Gomes, o filme narra os desencontros sentimentais e afetivos de dois namorados em meio às agruras e distâncias de uma grande metrópole. A atriz forma um belo par com o talentoso ator Fernando Alves Pinto.

Insolação (2009) – Dirigido por Felipe Hirsch, colega de teatro da atriz, o filme, que se passa em Brasília, é baseado em vários contos russos e narra o desespero amoroso de personagens desolados e sufocados por estranha sensação febril. Um deles é Lúcia, a personagem da atriz.

Nove crônicas para um coração aos berros (2010) – No filme de episódios do brasiliense Gustavo Galvão ela é uma prostituta em conflito com a profissão. Uma delícia de ver o contraste dos traços singelos da atriz e as belas curvas de seu corpo.

* Este texto foi escrito ao som de: Odessa (Bee Gees – 1969)

Odessa

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