A vida como ela é…

Uma desilusão amorosa pode ter motivado o co-piloto alemão ter feito o que fez...

Uma desilusão amorosa pode ter motivado o co-piloto alemão ter feito o que fez…

O jornalista Samuel Wainer meio que inventou o Nelson Rodrigues do jeito que a gente o conhece. Mas antes disso, ele havia reinventado a imprensa no Brasil nos anos 50 com o revolucionário jornal A última hora, dando um sopro de ousadia e Inteligência ao segmento. Foi ele, por exemplo, quem sugeriu ao cronista e dramaturgo que escrevesse uma coluna diária baseada em fatos trágicos da vida tiradas dos noticiários, dando inclusive o nome que ilustra o título desse texto. Nelson Rodrigues sugeriu Atire a primeira pedra, mas prevaleceu, claro, o desejo do chefe.

E assim, durante anos, diariamente lá estava Nelson Rodrigues escandalizando a hipócrita sociedade brasileira com suas histórias bizarras. O triste episódio envolvendo o co-piloto alemão Andreas Lubitz bem que poderia ter sido um daquelas tramas inventadas pelo autor a partir de tragédias do cotidiano. Na última terça-feira (24), o avião da empresa alemã Germanwings em que ele era co-piloto caiu nos Alpes franceses matando 150 pessoas. Há indícios de que o acidente tenha sido provocado deliberadamente pelo jovem piloto.

A vida como ela éDias depois do acontecido, após ouvir especulações sobre o que teria motivado o rapaz a fazer isso, brinquei dizendo que talvez ele tivesse brigado com a namorada e, num surto de desespero e depressão, fez o que fez. Pois bem, parece que Andreas Lubitz estava depressivo e resolveu tirar sua vida e de 150 passageiros porque havia rompido com a noiva recentemente após um relacionamento de sete anos. Ou seja, A vida como ela é…

Gozado, mas lembrei imediatamente de quando levei um fora de um amor platônico que alimentei e queria me suicidar, mas ao invés disso resolvi criar um blog. Ok, a sugestão indireta para a ideia foi da minha analista, mas mesmo assim funcionou. Até porque, seu eu tivesse tirado minha vida, ela não teria dado a menor pelota.

O amor é um sentimento efêmero, passageiro, que pode ser curado com o tempo e tempo, já dizia o poeta Renato Russo, é o melhor dos mercúrios-cromos. Já a vida interrompida é algo irreversível. Ainda mais a vida de 150 pessoas inocentes que não tinha nada a ver com o peixe.

De mais a mais, estou torcendo para que as causas que levaram o co-piloto Andreas Lubitz ter feito o que fez seja outro. E sabe por quê? Porque nenhuma pessoa, nenhum amor não correspondido deve ser fonte motivadora para tamanha tragédia. Ainda mais se for uma bruxa sádica como foi no meu caso. Um pouco de amor próprio não faz mal a ninguém.

* Este texto foi escrito ao som de: Day after Day: live (Badfinger – 1974)

Badfinger

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