As gravuras religiosas de Rembrandt

A dramaticidade e atmosfera dos traços do artista holandês me emocionam sobremaneira

A dramaticidade e atmosfera dos traços do artista holandês me emocionam muito

Para mim, que não entendo nada de artes plásticas, o pintor holandês Rembrandt van Rijn (1606 – 1669) é o poeta das sombras e da luz, o que os especialistas chamam, liricamente, de chiaroscuro. Posso estar falando uma baita de uma besteira, mas é o que eu sinto quando vejo seus trabalhos, que me dão uma espécie assim de paz de espírito. Isso porque acho que a vida é assim, feita de sombras e luzes.

Ainda me lembro, como se fosse hoje, do meu espanto diante da interpretação sensorial que o cineasta inglês Peter Greenaway fez da pintura, A ronda noturna (1640-42), durante uma visita dele a Porto Alegre no início dos anos 2000. Já conhecia outros trabalhos do mestre holandês, mas até hoje a impressão dessa obra marcante me comove.

E é justamente esse tipo de sentimento, de sensação gostosa que quero voltar a sentir quando for ver a exposição Rembrandt e a figura bíblica, em cartaz a partir de amanhã no Museu Nacional dos Correios. São 78 gravuras do artista, 52 delas sobre temas religiosos. Confesso que não sabia que o pintor holandês havia dedicado tempo e pinceladas evocando imagens de Cristo e da passagem bíblica.

HolandaPintado em 1653, As três cruzes revela influências de mestres como Leonardo da Vinci e Caravaggio. A dramaticidade da cena, do sofrimento de Jesus estão expressos no contraste dos angustiantes riscos e traços sobre luzes e sombras. Baseada no Evangelho de São Mateus, A gravura dos Cem Florins (1648/49), era um daqueles trabalhos do artista que ele tinha carinho particular. A ponto dele, mais tarde, ter comprado a tela de volta na época por 100 floris.

Fugindo do tema religioso, Autorretrato com Saskia (1636) mostra o pintor num autorretrato ao lado da esposa, preconizando, em séculos, a invenção do selfie.

Visitada por quase 30 mil pessoas ao longo de dois meses durante sua temporada carioca, a coleção pertence ao museu sueco de Zorn, localizado na cidade de Mora, e pela primeira vez teve permissão para ser exposta em outro país. Trata-se de uma oportunidade única aos amantes da boa arte.

Vale lembrar que esse estilo de trabalho, ou seja, a gravura, era tido como algo menor no universo das artes e o artista holandês ajudou a popularizar a técnica, dando dramaticidade ao seus temas utilizando água-forte, buril e ponta seca. O resultado visual, a partir do clima atmosférico criado pelos seus desenhos é realmente impressionante.

* Este texto foi escrito ao som de: Five leaves left (Nick Drake – 1969)

Nick Drake

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