Monty Phyton – O sentido da vida (1983)

A trupe bancando professores e alunos durante uma aula sobre sexo...

A trupe bancando professores e alunos durante uma aula sobre sexo…

Revi o filme outro dia e só me lembrava da cena do restaurante. Aliás, a última vez que vi a fita foi nos meus tempos de universitário e sempre achei que aquele episódio de um Cristo matusquela na cruz fazendo piada de sua triste condição estivesse aqui. Não está. O que prova que não sei nada sobre o grupo cômico inglês Monty Phyton. Pior, descobri que na verdade eu não sou muito fã desse humor escrachado que acabaria sendo muito copiado aqui no Brasil, dando origem a programas como o TV Pirata e a turma do Casseta & Planeta.

De qualquer forma, ainda quero ver Em busca do Cálice Sagrado (1975) e A vida de Brian (1979). Quem sabe esse trecho que me marcou muito esteja em um desses trabalhos. Terceiro filme da trupe, O sentido da vida se resume a esquetes inspirados no formato televisivo das piadas do grupo com temas que vão do nascimento a morte. E, ao contrário do que o título sugere, eles não conseguem explicar o sentido da vida por meio de cenas cômicas e pseudo filosóficas e a ideia é justamente essa.

As sacadas visuais e referências à clássicos do cinema são hilárias, como o início do filme, O sentido da vidaonde uma fachada de um prédio em reforma se transforma num navio em alto mar e funcionários burocratas de uma seguradora, em figurantes do filme Ben-Hur. A crítica aqui é ao capitalismo desenfreado e de como o dinheiro e a ganância, enfim, a burocracia que nos cerca, faz nossa vida intolerante e mais difícil.

Nota-se a estética visual da época. Algumas canções paródias do grupo são norteadas por desenhos e artes gráficas que lembram o filme The Wall do Pink Floyd.

Daí segue para uma série de absurdos e situações surrealistas – marca registrada dos textos do grupo -, sobre o comportamento da sociedade diante de temas como religião, controle de natalidade e sexo. “Culpem a Igreja Católica por não deixar usar aquela coisa de borracha”, diz um protestante, criticando o fato de famílias com filhos numerosos.

Marcado por humor iconoclasta, algumas piadas do grupo beira a grosseria e, bancando o hipócrita, fiquei incomodado como a cena da canção do esperma, por exemplo, com crianças cantando obscenidades. A passagem do restaurante, com um glutão porco vomitando o tempo todo não tem graça nenhuma. Nenhum pouco inteligente.

Não me esqueço de um professor da faculdade grandão e meio bobão tentando explicar uma piada desse filme e eu o achando um tremendo pateta. Pateta foi o que eu senti ser quando vi o filme que não consegui ri de cena nenhuma. E pensar que alguns críticos comparam o humor do grupo ao sucesso musical dos Beatles… Gosto do Terry Gilliam – um dos integrantes da trupe e o único norte-americano -, dirigindo filmes sérios como Os doze macacos.

Há piada para tudo. Basta ter gargalhada.

* Este texto foi escrito ao som de: Foxtrot (Genesis – 1972)

Genesis

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s