Astros do cinema – Burt Lancaster

O ator, no auge da carreira, com seu sorriso cheio de dentes

O ator, com com seu sorriso cheio de dentes, em cena do filme que lhe rendeu um Oscar

Uma das imagens mais belas e impactantes do cinema que guardo em minha memória não está relacionada, diretamente, às telonas. É a do simpático e grandalhão ator norte-americano, Burt Lancaster, estático, como uma estátua grega, com sua figura de Hércules, durante o velório do cineasta Luchino Visconti. A imagem você pode ver nos extras de um dos filmes do mestre italiano lançado pela Versátil Filmes.

Descendentes de irlandeses protestantes que viviam no Harlem Spanish, o nova-iorquino Burt Lancaster, com seus 1,88m, foi um craque do basquete na juventude e começou a carreira como artista fazendo acrobacia pelos circos da vida. Durante a 2ª Guerra Mundial chamou atenção dos produtores de teatro e cinema com seu tipo atlético, sorriso cheio de dentes e carisma ao organizar espetáculos para distrair as tropas.

Dali para Hollywood seria um pulo e foi pulando e fazendo acrobacias em clássicos como O gavião e a flecha (1950) e O pirata sangrento (1952), que o ator fez nome no cinema. Em 1953 causou furor e abalou as estrutura do Código Hays ao rolar com a deliciosa Deborah Kerr no drama pungente, A um passo da eternidade (1953). A consagração viria em 1960, com o Oscar de Melhor Ator pela impactante interpretação no papel de um pastor charlatão que muda de lado tocado não pela fé em Deus, mas no amor.

A independência como astro foi conquistada ao montar uma produtora de cinema em meados dos anos 50, junto com os amigos Harold Hechet e James Hill. O que não o impediu de amargar fracassos, como diretor de filmes, em duas produções. Homem de princípios corretos, em 1966 interrompeu as filmagens de O trem para participar da marcha pelos direitos civis, aquela em que Martin Luther King declama o poema, Eu tive um sonho. Questionado na época, o ator foi contundente numa entrevista.

“Foi-se o tempo em que bastava deixar seus filhos brincar com as crianças negras para ficar em paz com sua própria consciência. Tenho 50 anos. Cheguei muito mais longe. Na vida e na carreira, que jamais ambicionei. Mas só porque triunfei tenho que abandonar o sonho da minha juventude?”, disse.

Homem de caráter dentro e fora das telas.

Top Five – Burt LancasterA um passo da eternidade

Entre deus e o pecado (1960) – Adaptação de obra de Sinclair Lewis pelo diretor Richard Brooks, o filme faz virulenta crítica ao messianismo com que algumas igrejas e líderes manipulam os fiéis. Mas de nada valeria esse olhar contestador, não fosse a impecável e magnânima atuação de Burt Lancaster.

O leopardo (1963) – Reza a lenda que o cineasta Luchino Visconti repudiou a sugestão do nome do ator para o papel do príncipe Salinas, dizendo que não queria saber de nenhum caubói em sua trama épica. Cedeu e não só se surpreendeu com a atuação do ator, como ganhou um amigo para vida inteira. Daí a cena mágica narrada no início deste texto.

A um passo da eternidade (1953) – Nesse drama de guerra do diretor Fred Zinneman, Lancaster é um oficial que tem um caso com a mulher de seu superior numa base militar no Havaí, durante a 2ª Guerra. O filme já valeria por si só pela clássica cena de Lancaster e Deborah Kerr, seminus, aos beijos numa praia, mas também pela densidade psicológica com que expões os frágeis personagens.

Violência e Paixão (1974) – E a amizade entre Visconti e Burt Lancaster foi tão intensa que o ator não vacilou em aceitar o convite do diretor – na época doente e bastante debilitado pela idade -, para interpretar um intelectual gay nesse drama incisivo.

A rosa tatuada (1955) – Mas um texto do dramaturgo Tennessee Williams levado às telonas com sucesso, traz o ator na pele de um caminhoneiro de origem italiana que se apaixona por uma costureira trágica vivida pela intensa atriz Anna Magnani. A química entre os dois astros do cinema é intensa.

* Este texto foi escrito ao som de: Achtung baby (U2 – 1991)

U2 - One

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