Para sempre Alice (2014)

No filme Julianne Moore é uma linguística que está perdendo a memória... Atuação lhe rendeu um Oscar...

No filme Julianne Moore é uma linguística que está perdendo a memória…

Para sempre Alice é um filme triste. Muito triste. E não sei se estou com espírito para falar de coisas demasiadamente tristes nesses últimos dias. A alma anda fragilizada. Mas ossos do ofício e, como já dizia o Marcelo Camelo em uma de suas singelas canções: “É de lágrima que faço o mar para navegar/(…) É de mágica que eu dobro a vida em flor”, canta.

Baseado em livro homônimo escrito por Lisa Genova, o filme dirigido pela dupla Richard Glatzer e Wash Westmoreland rendeu a atriz ruiva Julianne Moore o Oscar de Melhor Atriz na última edição da premiação. Confesso que, sem ver o filme, achei o reconhecimento over. Mas depois de assistir à fita ontem retiro o que disse.

Na trama, Alice Howland é uma linguística de respeito internacional que descobre que sofre de Alzheimer precoce. Aos 50 anos, no auge da carreira, tem que lidar com a perda da memória e a dificuldade que esse problema lhe causa no dia a dia. Certa manhã ela saiu para fazer uma caminhada e se perdeu no centro da cidade. Noutro dia, a palavra “léxico” lhe escapou da memória. “Sou o que estou sentindo. Parece que o meu cérebro está morrendo”, desabafa ela para a família.

Para sempre Alice 2A situação fica mais dramática quando o neurologista que lhe atende diz que a doença tem característica hereditária e que seus filhos podem, em um futuro breve, sofrer do mesmo mal. “Eu sinto muito, tenho Alzheimer. Eu preferiria ter câncer. Pelo menos não me sentiria tão envergonhada”, se desespera.

Dramático, sem ser piegas, o filme encontra nas boas atuações um dos seus pontos fortes. Além da premiada Julianne Moore no papel-título, Alec Baldwin, como o marido preocupado e prestativo dá um banho. A “vampira teen” Kristen Stewart, como uma filha artista rebelde, também.

Mas o grande atrativo do filme é o tema abordado, colocando em evidência uma doença que responde no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), por 1,2 milhão de pessoas. No mundo, 35, 6 milhões. Esses números devem triplicar até 2050. A dramatização do caso no filme é feita de forma sóbria e pungente. Alice, tida como uma mulher inteligente e imperativa, aos poucos se mostra infantil e demente. A situação gera situações tensas e tristes, como aquela em que ela não consegue encontrar a porta do banheiro e faz as necessidades nas calças. Ou ainda a passagem em que se desespera ao perder seu celular, sua espécie de segunda memória.

“Ainda bem que a tecnologia nos ajuda”, brinca um dos filhos.

Curioso e comovente o desfecho do filme, que termina meio que dando a impressão de que a própria narrativa também está perdendo a memória. Acho que a pior desgraça na vida de uma pessoa é ser acometido de algum tipo de doença e Para sempre Alice mostra como tudo isso é triste. Mas cumpre o seu papel social de forma exemplar ao expor e esclarecer suas mazelas ao grande público

* Este texto foi escrito ao som de: 4 (Los Hermanos – 2005)

4_Los_Hermanos

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