Musas do cinema – Liv Ullmann

A atriz em cena de "Gritos e Sussurros", do mestre Ingmar Bergman

A atriz em cena de “Gritos e Sussurros”, do mestre Ingmar Bergman

Por conta dos dez filmes que realizou com o mestre sueco Ingmar Bergman – com quem foi casada por cinco anos e teve uma filha – e, morado boa parte de sua vida na Suécia, muitos confundem a nacionalidade da atriz escandinava que, embora norueguesa de registro, nasceu, na verdade em 1938 em Tóquio, Japão, onde o pai trabalhava como engenheiro aeronáutico. Detalhes geográficos que não influem em nada no talento da atriz que, mesmo no auge de seus 75 anos, esbanja beleza e vitalidade.

A carreira, como acontece com todo ator e atriz da Suécia e Noruega, teve início no teatro, interpretando personagens de Shakespeare, Goëthe e Bertold Brecht. O cinema veio depois, aos 28 anos, e com duas estréias de impacto em 1966: Persona – Quando duas mulheres pecam e A hora do lobo, ambas obras pungentes do diretor Ingmar Bergman, a última só lançada dois anos depois.

Viveu um idílico amoroso com Bergman no começou do romance que, com o tempo, se transformaria num pesadelo doméstico para ela. Essa dramática passagem de sua vida pessoal é retratada de forma confessional no documentário Liv & Bergman Uma história de amor, filme de 2012 do diretor indiano Dheeraj Akolkar.

E claro, como toda atriz nórdica de seu tempo, emprestou seu talento e beleza às lentes e o glamour do cinema comercial Hollywoodiano, mas os diretores fúteis com quem ela trabalhou não souberam aproveitar sua intensidade como atriz. De volta para casa, continuou a realizar grandes trabalhos, alguns deles ao lado agora do amigo Ingmar Bergman, quem, como poucos, soube explorar as complexidade a alma feminina. Sobretudo quando Liv Ullmann era sua eterna musa exploradora.

Top Five – Liv UllmannMutações - Liv Ullmann

Gritos e sussurros (1972) – Não é apenas um dos melhores e mais densos trabalhos do diretor Ingmar Bergman, mas um das mais intensas atuações de Liv, que vive aqui mulher infantilizada tendo que lidar com a iminência da morte. Em cena, a diva nórdica mescla sensualidade e amargura com desenvolturas.

Persona – Quando duas mulheres pecam (1966) – Talvez o mais complexo e psicanalítico dos filmes do diretor, tanto do ponto vista da construção narrativa, como da construção dos personagens. Aqui Liv é Elisabeth Vogle, uma atriz que perdeu a voz e agora passa seus dias ao lado da enfermeira Alma (Bibi Andersson). A proximidade intensa das duas irá fazer com que elas tenham suas personalidades confundidas. Foi nos bastidores desse filme que Liv e Bergman se apaixonaram.

Sonata de outuno (1978) – A contundente relação entre mãe e filha, duas artistas do lado oposto do sucesso e da consagração. Ingrid Bergman é a mãe ausente e arrogante que tem prazer em humilhar a filha carente e frágil, vivida de forma comovente por Liv Ullmann. A famosa cena do piano, quando elas medem seu talento, é opressiva.

Cenas de um casamento (1973) – Em cena ela é uma mulher madura que ainda não se realizou emotivamente ao lado do marido. Apesar da dramaticidade com que Bergman expõe a relação de um casal moderno, Liv deixa revelar em vários momentos sua veia cômica.

Liv & Ullmann (1978) – No livro Mutações a atriz já revelaria sua trajetória de vida pessoal e artística, mas a beleza trágica de sua carreira ganha contundência aqui, com a atriz exorcizando demônios e flanando com anjos do bem diante das câmeras.

* Este texto foi escrito ao som de: Loki? (Arnaldo Batista – 1974)

Loki

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