ArPDF – O guardião da memória de Brasília

JK, o fundador de Brasília, sendo recebido pela população na inauguração da cidade

JK, o fundador de Brasília, sendo recebido pela população na inauguração da cidade

Hoje, 14 de março, o Arquivo Público do Distrito Federal comemora 30 anos de existência se firmando como a mais importante instituição nacional não apenas na preservação da memória da nova capital do Brasil, Brasília, mas também na produção do conhecimento. Mas você sabe o que é o Arquivo Público e qual a sua importância para a sociedade? Bem, entre outras coisas, a instituição criada por meio do decreto nº 8.530, por iniciativa do baiano Walter Albuquerque Mello, tem a missão de recolher, preservar, garantir proteção especial e dar acesso a documentos arquivísticos de valor permanente, oficiais e de caráter privado, permitindo a possibilidade de diversas pesquisas e interpretações.

Confesso na cara dura que até três anos atrás nunca tinha ouvido falar do ArPDF. Nem sabia existia. Mas a partir do momento em que descobrir sua existência, fiquei encantado, diria que apaixonado pelo lugar. De modo que, quando eu morrer, não quero ir para o céu nem para o inferno, mas para o Arquivo Público do Distrito Federal e ponto final.

E por um motivo simples. Todos os deuses da história dessa jovem cidade modernista estão lá. Uma plêiade de estrelas como o engenheiro e astrônomo belga Luiz Cruls, líder da expedição que delimitou o quadrilátero onde hoje é o Distrito Federal, o fundador de Brasília Juscelino Kubitschek, o empreendedor Bernardo Sayão, os arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer e claro, meu grande amigo Paulo de Tarso Santos.

ArPDF 3Uma das figuras mais emocionantes relacionadas à história de Brasília, eu chegue a Paulo de Tarso Santos ao ler o seu livro de memórias, 1964 e outros anos, onde ele relata os bastidores da época em que era prefeito de Brasília e ministro da Educação e Cultura.

No Arquivo Público do Distrito Federal é assim, você abre uma gaveta é uma página da história de Brasília surge em sua frente. História essa que começou bem antes da construção de Brasília, lá no distante século 19, em 1751, quando o Marquês de Pombal manifestou a possibilidade de transferir a capital da Colônia para o interior do país. Com a expedição de Luiz Cruls e a demarcação do quadrilátero do Distrito Federal, em 1892, o sonho de JK de fundar uma cidade do nada, no coração do Brasil se tornou realidade há 55 anos.

São mais de 9 milhões de arquivos entre textos, mapas, vídeos, áudios, recortes de jornais, cartazes e imagens organizados, conservados e disponíveis para qualquer um que queira explorar a memória de Brasília. São registros tão impactantes que ficamos horas e horas debruçados sobre um lote de fotos ou textos históricos sem se dar conta do tempo.

Guardião legal e difusor da história da unidade federativa, o Arquivo Público do Distrito Federal, existe para proteger a documentação produzida e acumulada pelo governo e por entidades de caráter privado.

“O que não é registrado, não vira história”, ensina o apaixonado professor de História, Elias Manoel, servidor do Arquivo Público, um entusiasta e especialista em Missão Cruls. “Aqui, mais do que preservar a memória, produzimos conhecimento”, destaca a atual superintendente da instituição, Marta Célia Vale.

Entre as raridades que fazem parte do acervo do Arquivo Público estão as cadernetas pertencentes a um dos integrantes da Missão Cruls, doadas à instituição pela família do explorador, a reprodução do primeiro mapa do Brasil com o desenho do quadrilátero do Distrito Federal e milhões de imagens da construção de Brasília, além dos primeiros registros em vídeo em Brasília. Eu, claro, tenho um carinho todo especial pela documentação privada do ex-prefeito de Brasília Paulo de Tarso Santos.

Um jornalista apaixonado pelo passado que sonhou em ser arquiteto e quase se formar em história, tenho enorme orgulho de fazer parte da equipe do Arquivo Público do DF. Parabéns pelos seus 30 anos!

* Este texto foi escrito ao som de: O primeiro dia do resto de sua vida (Rita Lee – 1972)

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