Tony Bennett & Lady Gaga: Cheek Live!

Olha o velhinho feliz da vida ao lado da diva do pop...

Olha o velhinho feliz da vida, todo pimpão, ao lado da diva do pop…

Apreendi a gostar da Lady Gaga graças à minha afilhada. Sim, porque lá em casa é assim, minhas sobrinhas é quem mandam em mim. E graças a mais velha, descobri essa artista fantástica que é a Lady Gaga. E, embora ela tenha roubado meu coração cantando o tema de A noviça rebelde no Oscar, já havia prestado atenção nela, de verdade, quando a diva gravou o álbum Cheek to Cheek, junto com um dos ícones do jazz, o cantor Tony Bennett. O disco é sundae, o DVD, que vi outro dia, também.

O que acho mais bacana nela é a sua versatilidade. Confesso que quando a vi pela primeira vez tomei um susto, mas depois vi que, assim como David Bowie, ela criou uma persona formidável que corre o risco de ficar eterna no pop. Mas é seu jeito divertido de metamorfosear que me impressiona, como ela fez cantando jazz com desenvoltura.

Gravado no Lincoln Center, em Nova York, o registro traz 19 canções tiradas do disco e apresentação sóbria da dupla, sobretudo de Lady Gaga, uma musa graciosa com seus figurinos deslumbrantes e performances divertidas, sensuais e imprevisíveis. A primeira aparição dela com uma peruca dourada no estilo Cleópatra encanta.

Lady gaga 5Na contagiante Goody goody, por exemplo, ela surge em cena sentada em uma grande cadeira de balanço branca usando um estiloso chapéu preto furado na marca do olho esquerdo. O charmoso vestido rosa combina de forma atraente com o assessório. Durante o número, a simpatia e entrosamento da dupla são contagiantes. E o carinho entre os dois astros de estilos diferentes é mútuo.

Em Bang bang (My baby shot me down) ela arrasa com um modelito todo de couro alaranjado e peruca a la Cher. Impressionante a personalidade que ele imprime à canção e note como a iluminação dialoga com o cenário e figurino que é meio pop clássico. Resultado: foi aplaudida de pé. E quando alguém lhe atira uma rosa no palco, ele gentilmente dar de presente para o pai, que se encontra na plateia. “I love you too”, devolve ela, quando alguém lhe grita a mesma o equivalente.

O momento mais divertido fica por conta de Firefly, quando ela, revelando ser uma boa atriz, abana o delicioso bumbum e as mãos como a indicar o voo alegre de uma radiante mariposa ou vaga-lumes. Os gestos sensuais e desavergonhados ruborizaram até o velhinho Bennett. “Eu a chamo de vaga-lumes/Porque, nossa/Ela irradia brilho da lua”, diz a letra.

No solo da malemolente I won’t dance, de cocar preto na cabeça, ela faz o bom velhinho Tony Bennett sapatear no sapatinho. Talvez alegria por compartilhar essa fase da vida ao lado de uma das maiores artistas do pop contemporâneo. Assim como J. K. Rowling tem incentivado toda uma geração de jovens a ter o hábito da leitura, gostar de livro, Lady Gaga, com essa parceria encantadora, também pode incentivar os jovens roqueiros cheios de tatuagem a entender e apreciar a sofisticação do jazz. Minha afilhada não tem tatuagem, mas deixou de ouvir Restart para ouvir o jazz pop da diva.

Talvez por tudo isso que eu esteja apaixonada pela Lady Gaga.

* Este texto foi escrito ao som de:  Tony Bennett & Lady Gaga: Cheek Live! (2015)

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