A estrada da vida de José Rico

José Rico e o eterno parceiro em cena do documentário  "Na estrada da vida" 

José Rico e o eterno parceiro em cena do documentário  “Na estrada da vida”

Eu cresci ouvindo música sertaneja. Música sertaneja boa e ruim. Milionário e José Rico é música sertaneja boa. Música sertaneja de raiz, onde chora a sanfona e o violão brejeiro. Canções de amor e da vida, canções de ternura e agruras. Me lembro quando era criança de ficar vendo aqueles dois apresentando nos programas de televisão e me impressionar com o estilo de José Rico. Na verdade eu achava que ele era até um astro do rock, com sua vasta cabeleira, barba hippie, grandes anéis pulseiras e correntes de ouros, além da mania de cantar com uma das mãos tampando um dos ouvidos. Com o tempo ele foi ganhando um aspecto assim de Little Richard.

E, como todo mundo que começou a ouvir Milionário e José Rico, aprendi a amar a dupla por conta do clássico Na estrada da vida, contundente registro sobre a árdua trajetória de um artista rumo ao sucesso. “Nessa longa estrada da vida/Vou correndo e não posso parar/Na esperança de ser campeão/Alcançando o primeiro lugar”, diz um dos versos.

Estrada da vida 4Bem, nascido João Alves dos Santos, em São José do Belmonte, em Pernambuco, Zé Rico ganhou esse nome por ter sido criado na cidade paranaense de Terra Rica. O apelido foi dado por um padre e foi justamente graças as bênçãos de um religioso de batina que o ex pintor de parede, junto com o parceiro de jornada, Milionário, deslancharam para o sucesso.

Aliás, os dois artistas se conheceram de uma forma bem divertida, num hotel de São Paulo, o “hotel dos artistas”, E já no primeiro encontro, tirando sarro com o apelido engraçado e diferente do novo amigo, Romeu, o Milionário, não fez de rogado. “Ah é, José Rico você é? Então pode me chamar de Milionário”, brincou, fazendo referência ao “carnê milionário” do Baú da Felicidade, jogo de azar de grande sucesso criado pelo Midas da comunicação Sílvio Santos. E assim ficou…

Mas voltando à história do empurrãozinho religioso, passei a acreditar em milagre depois de ouvir o episódio a seguir. Cansados de serem negligenciados por diretores de gravadoras e produtores musicais, a dupla, que cantava em circos e dormia no sereno quando a grana não dava, movido por fé cega, resolveu fazer uma promessa a Nossa Senhora de Aparecida, deixando um disco que não fez sucesso no altar da famosa basílica paulista.

Alguns dias depois, um padre que fazia a ronda diária pelo local, viu o álbum jogado aos pés de Nossa Senhora e resolveu doar o acetado à rádio do grupo religioso. Praticamente da noite para o dia a dupla estourou nas rádios do país inteiro, provando, mais do que nunca, que milagres existem.

Bastante esperto e destituído de qualquer preconceito, o cineasta Nelson Pereira dos Santos abraçou a ideia de registrar a carreira dos artistas no filme Na estrada da vida onde, com muito bom humor e profissionalismo, mescla ficção e documentário.

* Este texto foi escrito ao som de: Milionário e José Rico (1973)

Milionário  e José Rico

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