Da ressaca do Oscar 2015

"Quem deu um green card a esse filho da mãe", Sean Penn, polemizando no Oscar

“Quem deu um green card a esse filho da mãe”, Sean Penn, polemizando no Oscar

Quem leva o Oscar a sério anda tomando remédio estragado. Nossa, por carregar a responsabilidade de ser o mais importante evento do gênero da indústria cinematográfica, a festa anda cada vez pior ano a ano. E, mesmo sabendo disso, não sei como ainda perco minhas sagradas horas de sono vendo bobagens como o ator Eddie Redmayne levar o prêmio de Melhor Ator, quando sabemos que Michael Keaton esteve bem melhor como protagonista de Birdman. Não que o jovem astro inglês tenha talento. Não vi ao teoria da vida, mas não deve ser fácil fazer o papel de um gênio doente como o Stephen Hawking, mas pelo amor de God!!

Até pela coragem de se expor por meio de um personagem tão outsider em sua trajetória, mostrando a cara à tapa ao metaforizar sua própria trajetória numa produção ousada, o prêmio deveria ser do Michael Keaton.

A noviça rebeldeAinda bem que se fez justiça e o mexicano Alejandro González Iñarritu abiscoitou os prêmios de Melhor Diretor, Filme e Roteiro Original. Ainda bem. “Quem deu um green card a esse filho da mãe?”, brincou Sean Penn, bem ao seu estilo polêmico; “Achei hilária”, minimizou Iñarritu, que dirigiu o astro em 21 gramas.

Cada vez mais cafona e ridícula, a cerimônia do Oscar parece um reflexo do grosso da produção cinematográfica de Hollywood, ou seja, sem credibilidade e saturado. Prova disso é que, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio de Melhor Diretor foi para um mexicano. No ano passado quem levou a estatueta foi Alfonso Cuarón com o impactante, Gravidade. Ok, a infraestrutura, o dinheiro, a propaganda vem dos americanos americanos, mas as melhores ideias são deles, e que ideias originais, são deles, os “xicanos”, os primos pobres do Norte. E ontem, Iñarritu não perdeu a chance de dar o troco contra o preconceito e a intolerância.

“Quero dedica-lo a meus amigos mexicanos e a todos os mexicanos que fizeram deste país uma grande nação imigrante”, fulminou.

Alguém aí deve ter sentindo falta deu falar sobre Boyhood. Ora bolas, o filme foi, terminantemente, negligenciado no evento que esqueci de dizer qualquer coisa sobre ele. Mas, falando de coisa séria agora. Há muito tempo que não via um apresentador tão divertido e discreto. Neil Patrick Harris roubou a cena algumas vezes sem parecer chato, exagerado ou irritante. Sua presença ao longo da festa foi agradável e divertida, como na sequência em que anda de cueca pelo palco, numa sátira de antológica cena de Birdman.

E enquanto muitas divas se esforçavam para se aparecer cada vez mais bela pelo tapete vermelho, a musa do popLady Gaga arrasou. Entrando em cena pela primeira vez no Oscar num vestido horrendo, quase me levou às lágrimas ao surgir no palco, horas depois, num belo vestido branco, cantando um tema do filme A noviça rebelde. “A inimitável Lady Gaga”, disse a apresentadora.

Resultado. Triunfou aplaudida de pé.

Ainda bem que temos a Lady Gaga para suportar chatices como o Oscar.

* Este texto foi escrito ao som de: Magazine (1983)

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