Astros do cinema – Marcello Mastroianni

O ator italiano em frente ao cartaz do filme "A doce vida", uma marco em sua carreira

O ator italiano em frente ao cartaz do filme “A doce vida”, uma marco em sua carreira

Marcello Mastroianni, quem as mulheres suspiravam só de ver, sempre repudiou essa história de latin lover. Latin lover? Que paciência precisei ter com essa história”, desabafou certa vez, argumentando que, além de o gostosão em A doce vida, viveu nas telas um corno, homossexual, grávido e até o marido de uma anã. Na verdade, por ele, o grande papel de sua carreira seria o de um Tarzan matusquela sem eira nem beira, zanzando pelas selvas da vida.

Um dos grandes ícones do cinema italiano, dono de charme irresistível e beleza singular, Mastroianni sempre foi um grande amante fora das telas, tendo todas as mulheres que desejou e daí o fato de o rótulo que tanto odiava o ter estigmatizado. Acontece que, por acaso, além de galante, ele era também um grande ator dos palcos e do cinema e sempre fez questão de ser lembrado por esta segunda questão. Assim, dos mais de 140 filmes que fez, sempre deu preferência por papéis que o envelhecia ou descaracterizava o encanto de sua beleza.

“Nunca me achei bonito. Tenho pernas e braços finos, nariz pequeno, lábios quase inexistentes”, desconversou certa vez. “O homem Marcello foi tão galã e galante quanto o ator Mastroianni”, contestou o jornalista e biógrafo Ruy Castro num texto de 2000.

Enfim, a grandeza de Marcello Mastroianni como ator é algo inefável de explicar. Ele simplesmente foi e ponto final. E com a vantagem de ter trabalhado com os grandes mestres e atores de seu tempo. Sem vaidades, não se deixou se deslumbrar por Hollywood, onde só fez um filme dirigido pelo rebelde Robert Altman, Prêt-à-Porter (1994).

Oito e meioTop Five – Marcello Mastroianni

A noite (1961) – No filme ele é Giovanni Pontano, um escritor que, ao lado da bela mulher Jeanne Moreau, vão se embrenhar por uma cruzada existencialista que o irá fazer refletir sobre a vida, sua profissão e o amor que sente pela mulher. Para mim, as melhores cenas são aquelas em que ele surge ao lado da lasciva Monica Vitti.

A doce vida (1960) – Filme marco na trajetória do diretor Fellini e do ator, aqui ele encarna um jornalista que vive nas festas a alta sociedade cercado de mulheres e descobrindo a falta de sentido na busca do prazer imediato. Impagável a cena em que ele anda de cavalinho sobre uma mulher.

Oito e meio de Fellini (1963) – A prova da confiança e parceria bem sucedida de Fellini em Mastroianni está nesse filme onde o ator encarnar o alter ego do cineasta ao viver um artista em plena crise de criação. Inesquecível a cena da revolta do harém ao som de A cavalgada das Valquírias, de Richard Vagner.

Um dia muito especial (1977) – Ao contrário do que se pensa esse talvez seja o melhor trabalho de Mastroianni e Sophia Loren juntos. Ela na pele de uma esposa submissa casada com um fascista. Ele um homossexual radialista que viverá com essa sua vizinha uma experiência humana singular.

A comilança (1973) – Ok, o ator não realizou o sonho de viver um Tarzan matusquela nas telas, mas fez um depravado sexual em A comilança, de Marco Ferreri. O filme é um elogio aos prazeres da vida, o que ele fez sem dever nada a ninguém.

* Este texto foi escrito ao som de: Ghost stories (Coldplay – 2014)

Ghost stories

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s