Jerry Lewis – O rei da comédia

O comediante no auge da carreira ao lado do parceiro Dean Martin

O comediante no auge da carreira ao lado do parceiro Dean Martin

Se você não assistiu a nenhuma das deliciosas comédias de Jerry Lewis na Sessão da Tarde, então desculpe meu chapa, mas não teve infância feliz. Sim, anote aí, vou repetir de novo. Se você é do tipo que não viu filmes dos Trapalhões e Jerry Lewis na Sessão da Tarde, então é um perdido na vida. Um dos gênios da comédia, o artista, conhecido por suas caretas inconfundíveis e estilo caricatural, influenciou gente do naipe de Robin Williams, Billy Crystal, Steve Martin, Eddie Murphy,  e Jim Carrey, este último, uma cópia vagabunda do astro do riso.

Cultuado pela turma do Cahiers du cinema, entre eles o mestre Jean-Luc Godard, o comediante é homenageado na mostra O rei da comédia, em cartaz até março no CCBB. Bem, se você é aquele camarada ou camarada que não viu os filmes de Jerry Lewis na Sessão da Tarde, então não perca a nenhum filme.

Caramba, Jerry Lewis foi o meu primeiro ídolo da comédia. Antes mesmo do que de Charlie Chaplin, Didi ou Mazzaropi. Gostava tanto dele que o imitava nas caretas e até no corte de cabelo, ou seja, bem curtinho e com bastante gel. Não sei se colava, mas pelo menos me fazia sentir bem. E de todos os filmes que vi na Sessão da Tarde com o Jerry Lewis, o que mais me marcou, aquele que me lembro até hoje foi o que o astro encarnava um palhaço que chorava. Para mim, uma das grandes revelações da vida foi saber que palhaço chorava e achei a coisa mais bela do mundo quando vi o Jerry Lewis chorava.

Não me lembro o nome do filme e nem sei se ele vai passar na mostra do CCBB, mas se Professor alopradoalguém conhece esse trabalho, sabe da beleza dessa cena que fica lá para os minutos finais da fita. Um sundae! E ainda tem aquele filme em que ele é um atrapalhado funcionário de uma loja de departamento que se atrapalha com um aspirador de pó e o treco acaba engolindo um inofensivo cãozinho. Um sundae!

Para mim, o auge da carreira de Jerry Lewis foi ao lado do eterno parceiro Dean Martin. Dean Martin foi o galã italiano canastrão metido a cantor que cansou de ser escada de um “pateta” e se juntou à gangue de Frank Sinatra. Jerry Lewis, um judeu de Newark que cantava muito melhor do que ele, não se abalou com a separação e, workaholic que era, meteu a cara no trabalho nos anos 60 atuando, escrevendo suas próprias comédias, além de as dirigir e produzir. Dessa fase surgiu O mensageiro trapalhão (1960), O terror das mulheres (1961), O otário (1964) e aquele que para muito especialistas é a sua obra-prima: O professor aloprado (1963).

Bom, grande fã que sou, prefiro todos, inclusive o amargo O rei da comédia (1983), filme de Martin Scorsese em que o astro da comédia atua num papel dramático, zombando de sua própria condição de estrela do cinema e da televisão numa trama marcada humor negro. Uma pena ele não ter abiscoitado o Oscar de Melhor Ator por seu desempenho aqui. Mas quem precisa de Oscar quando se é Jerry Lewis?

Embora eu já tenha visto muitos filmes do artista e ter uma boa coleção de seus filmes em DVD, vou marcar presença com certeza no CCBB para ver obras que não conheço como o cult, Qual o caminho da guerra? (1970), em que ele encarna o papel de um milionário que desafia Hitler, o esquizofrênico, As loucuras de Jerry Lewis (1983) e Três em um sofá, fita de 1966 em que ele contracena com a deliciosa Janet Leigh, musa do mestre de Alfred Hitchcock em Psicose (1960).

Com uma vida pessoal marcada por episódios bizarros, como o escândalo de ser um pai bisbilhoteiro e paranoico que monitorava os filhos 24h por dia por câmeras, Lewis, hoje com 88 anos, ainda é um astro em plena atividade. E seus trabalhos recentes não se resume a bobagens como sua participação no ridículo filme brasileiro Até que a sorte nos separe 2 (2013).

* Este texto foi escrito ao som de: Kind of blue (Miles Davis – 1959)

Kind of blue

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