As horas vulgares (2011)

Filme com pegada autoral traz trama marcada por insinuações gay e flerte com o onírico

Filme com pegada autoral traz trama marcada por insinuações gay e flerte com o onírico

Pesquei o drama autoral, As horas vulgares, no Canal Brasil, dentro daquele quadro Sessão Interativa, apresentando pela Simone Zucolotto, e até agora não se gostei do filme. Pior, não sei se entendi o filme. Confuso? Acho que não. Experimental? Nem um pouco. Existencial? Profundamente. Daí um dos motivos para que eu ainda não tenha assimilado bem a fita capixaba que foi exibida na Mostra Aurora do badalado Festival de Tiradentes em 2012.

De fato, o filme é bem diferente do que vem sendo realizado no engessado e preguiçoso cinema nacional. A densidade da fotografia em preto e branco já denuncia isso, aliada a uma narrativa às vezes sufocante da trama baseada no livro de 1971, Reino dos Medas, do escritor Reinaldo Santos Neves.

A história gira em torno do artista plástico Lauro (João Gabriel Vasconcellos) e de todos aqueles que gravitam ao seu redor. Ou seja, jovens aparentemente normais que levam a vida Horas vulgares 2numa boa entre festas regadas a boa música e bebidas. As indecisões e angustias existenciais dessa faixa etária norteiam os diálogos e como os personagens de As horas vulgares conversam. “Existem meios para uma fuga, mas não existem lugares para gente fugir”, filosofa alguém em dado momento da trama.

Querido e admirado por todos, tanto pelo seu jeito de ser, quanto pelo seu talento como artista, Lauro parece meio aturdido depois que se separa da mulher. Isso acontece após ele pintar um quadro dela e não sabemos bem ao certo se sua partira foi uma ruptura definitiva ou apenas um tempo. Nem sabemos, de fato, se o casal se separou e essa falta de precisão dos fatos no filme parece ser algo planejado pela dupla de diretores Rodrigo de Oliveira e Victor Graize.

Quando Lauro esbarra pelas ruas de Vitória com amigo Théo (Rômulo Braga), recordações do passado projetam imagens de um futuro incerto e marcado por angústias e surpresas. “O que eu tenho tentado fazer à noite inteira senão te entender?”, diz Lauro ao amigo.

Faíscas de insinuações homossexuais pairam o tempo todo no filme que traz uma saborosa trilha sonora de jazz assinada por Fabiano Araújo. Um clima de mistério entre os personagens e o que eles fazem, tentam dizer no limiar entre o sonho e a realidade, o passado e o futuro, confere um charme todo especial ao filme, mas também impossibilita que o espectador entre na história de forma direita, sem os labirintos das elipses apresentadas. Mas afinal, qual é a história de As horas vulgares?

Talvez a resposta nos ajude a explicar que tipo de cinema se tem feito hoje no Brasil.

* Este texto foi escrito ao som de: Blue train (John Coltrane – 1957)

Blue train

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