O jogo da imitação (2014)

Matemático inglês brilhante, Alan Turing sentiu na pele o horror da injustiça e ingratidão

Matemático inglês brilhante, Alan Turing sentiu na pele o horror da injustiça e ingratidão

O britânico Benedict Cumberbatch é mais do que um desses astros do cinema com nome impronunciável. Bonito, charmoso e bom ator, ele tem tudo para brilhar nas telonas a julgar pelo seu ótimo desempenho no drama de guerra, O jogo da imitação, em cartaz nos cinemas. Indicado a vários Oscars, inclusive o de melhor ator para Cumberbatch, o filme conta a trajetória do matemático britânico Alan Turing.

Um gênio dos cálculos, Turing foi um dos principais responsáveis por decifrar a famosa máquina de código nazista, Enigma e, com isso, conseguido o notável feito de encurtar o prazo da 2ª Guerra Mundial em dois anos evitado, pelo menos, a morte de 14 milhões de pessoas. Não é pouco coisa, levando em conta que também pesa em seu currículo ter lançando as bases científicas e matemáticas do que hoje seria o computador.

Bem, por tudo isso Alan Turing deveria ser celebrado eternamente como um grande homem de seu tempo, sobretudo pela exemplar contribuição que sei feito fez à humanidade, não fosse o fato dele ter sido gay numa época em que isso era crime hediondo na Inglaterra de Wiston Churchill.

Resultado, preso por obscenidade, acabaria condenado à tomar injeções hormonais para não ser condenado, se suicidando em 1954, falido e esquecido. Eis aí mais uma daquelas suntuosas fábulas do cinema envolvendo o tema da ingratidão, OJogo da imitaçãoinjustiça e preconceito. “Às vezes aquele quem menos esperamos fazem coisas que menos imaginamos”, é uma das frases que norteiam o filme com sabor de moral universal.

Reprimido na infância por sua inteligência fora do comum e jeito afetado de ser, Turing é mostrado no filme como uma pessoa incessível, arrogante e incapaz de se relacionar com as pessoas. Há uma cena emblemática no filme, que é quando os colegas de Turing o enterram no chão da sala de aula. “A violência causa prazer”, teoriza o criptologista, para justifica sua androgenia e antipatia crônicas.

Mesmo quando tenta manter um seu relacionamento de mentirinha com a também criptologista, Joan Clarke (Keira Knightley, insuportável como sempre), nada parece mudar em sua vida, a não o fato de conseguir evoluir em suas pesquisas e, finalmente, decodificando, após inúmeras tentativas frustradas, a tal máquina do diabo alemã. “Você não é Deus, não decide quem deve morrer”, diz um dos colegas, ao se irritar com o fato de Turing ter que escolher quem vai salvar ou deixar padecer, para não revelar seus segredos aos inimigos.

Produção inglesa impecável dirigida pelo norueguês Morten Tyldum, O jogo da imitação, como todo filme inglês que concorre quase que anualmente ao Oscar, é um sundae para os olhos quando o assunto é direção de arte, figurino e atuações. Benedict Cumberbatch traz mesmo um desempenho espetacular, e poderia ser ainda melhor, não fosse o tom excessivamente melodramático do roteiro.

Nada que atrapalhe o prazer de conferir a fita até os últimos minutos. Passado 60 anos da morte de Alan Turing, finalmente a soberba monarquia britânica concedeu o perdão ao matemático britânico que fez muito mais do que salvar vidas na 2ª Grande Guerra. Humanizou os números, ao derrotar os nazistas com uma cruzadinha.

* Este texto foi escrito ao som de: Siamese dream (Smashing Pumpkins – 1993) Siamese dream

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