Perdido entre a Paulista e a Augusta

Tantas vezes pela Avenida e só ontem que me dei conta dessa igreja...

Tantas vezes pela Avenida e só ontem que me dei conta dessa igreja…

Ok, o destino era a Vila Madalena, como foi. Mas no meio do caminho fiquei perdido entre a Avenida Paulista e a Rua Augusta, o que sempre acontece quando vou a São Paulo. E quando ando pela Augusta me lembro de várias coisas. Uma delas é daquele clássico da Jovem Guarda imortalizada na voz do Eduardo Araújo. Também da sessão do filme Cinema, aspirinas e urubus, que vi ali extasiado no antigo Espaço Unibanco, há uns sete anos atrás. Foi ali na Augusta que comprei o primeiro disco do David Bowie, The man who sold the world, aquele em que o astro do glam rock aparece vestido de mulher na capa. E sempre encontro bons livros nos sebos da Augusta. Ontem mesmo, sai de lá com uma edição sobre a Marilyn Monroe publicada nos anos 80 pelo jornalista Anthony Summers em bom estado e com preço honesto.

Já a Paulista, como gosta de dizer uma amiga minha gaúcha que mora aqui há dez anos, é um mundo à parte. Tem de tudo ali, junto e misturado. Mendigos, drogados, punks, patricinhas, prostitutas, casais gays e lésbicos andando de mãos dadas num romance astral, gente com pressa e até, veja só, goianos perdidos como eu. Ontem, tinha ali inclusive um aborígene tocando um daqueles instrumentos de sopro esquisitíssimos da Austrália. O sujeito, claro, virou a grande sensação da noite. Qualquer dia desses vai baixar um marciano ali e ninguém vai dar pelota. Sim, porque na Paulista tem de tudo.

Rua AugustaBem, talvez o centro financeiro mais importante do país, a Avenida Paulista é de uma imponência faraônica, diria que até soberba. Tudo ali é superlativo, exagerado e ofuscante. Prédios enormes, fachadas grandiloquentes e as famosas duas pistas da Avenida, um dos cartões postais mais marcantes da cidade. É bom que se diga que todas as sedes dos principais bancos do país ficam ali, o que significa que o dinheiro corre solto na Avenida Paulista. A Livraria Cultura, de tão grande, parece um labirinto. E adoro me perde por ali. É tanta gente que nem se consegue andar direito.

E foi meio perdido na Avenida Paulista que desta vez encontrei, opressivamente, entre grandes arranha-céus, a Paróquia São Luís Gonzaga. Gozado porque já passei tantas vezes por aquele lugar e nunca tinha notado essa igreja linda bem ali, no coração do centro financeiro mais importante do país. Minha amiga me contou que casamentos suntuosos, de parar literalmente a Avenida, acontecem ali. E por tudo isso que lamentei que as portas da Paróquia estivessem fechadas. Sabe como é, não acredito em deus, mas, assim como o Nelson Rodrigues, tenho fetiche por igrejas vazias.

Para mim, todas as igrejas deveriam ficar sempre com as portas abertas full time. Se as portas da Paróquia São Luís Gonzaga estivessem aberta, eu iria entrar e perguntar ao santo que dá nome a um dos maiores nomes da nossa música, só de bazófia, se deus existisse, em São Paulo seria corinthiano ou são paulino.

* Este texto foi escrito ao som de: Esperando el fin del mundo (Rubín – 2006)

Rubin

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