Musas do cinema – Marilyn Monroe

A deliciosa diva incendiando a imaginação de Tom Ewell na comédia "O pecado mora ao lado".

A diva incendiando a imaginação de Tom Ewell na comédia “O pecado mora ao lado”.

Há uma cena no filme O pecado mora ao lado (1955), de Billy Wilder, exemplar. É quando o personagem de Tom Ewell, sozinho com a vizinha gostosa Marilyn Monroe, estão juntos brincando ao piano e, não resistindo, ele lhe agarra para beijá-la, caindo ao chão. Se recompondo rapidamente logo se desculpa:

– Perdão, senhorita. Isso nunca me aconteceu antes. – diz.

Sem se abalar ela devolve:

– Pois comigo acontece todo dia.

Metida em suculentas e fartas curvas, Norma Jeane, nome verdadeiro da diva Marilyn Monroe, com aqueles carnudos lábios e pinta sensual no quanto da boca, deveria sofrer diariamente todo tipo de assédio antes e depois da fama. E convenhamos. Por aquele pedaço de carne cheio de desejo valia à pena correr qualquer tipo de risco. Risco esse que o presidente John Kennedy, que não era bobo nem nada, não teve medo de correr, logo de abraços e beijos com um dos maiores ícones do cinema. É famosa a cena em que ela, num lindo vestido de “pele e pérolas”, canta um lascivo, Parabéns para você.

Filha de pai desconhecido e mãe com problemas mentais, Marilyn Monroe passou boa parte da infância e adolescência em orfanatos e casas de famílias, até se casar, aos 16 anos, com Jim Dougherty, um conservador e quadrado funcionário de uma empresa de aviões. Logo viu que tinha se metido numa enrascada e, ao ser descoberta pelo fotógrafo David Conover, agarrou com umas e dentes a oportunidade, quando despertou interesse da agência de modelos Blue Book.

Dali para o cinema foi um pulo e um dos primeiros papéis que realizou foi a de uma deslumbrada aspirante à estrela no contundente exercício de metalinguagem, A malvada, clássico de 1950 de Joseph L. Mankiewicz. O resto é lenda. Curiosamente um dos maiores ícones de todos os tempos, Marilyn Monroe, que foi casada com o mito do baseball Joe DiMaggio e o dramaturgo Arthur Miller, foi também uma das celebridades mais infelizes da história do cinema. Mas apesar de ter vivido apenas 36 anos, deixou um legado imensurável na moda, comportamento, beleza e porque não, nas artes dramáticas.

Os desajustados 4Top Five – Marilyn Monroe

Os desajustados (1962) – Espécie de faroeste moderno, o filme também é o lago dos cisnes de três ícones do cinema: o diretor John Huston, o galã Clark Glabe e a diva Marilyn Monroe. Num papel escrito especialmente para ela pelo marido Arthur Miller, a atriz vive aqui uma mulher frágil emocionalmente que testa a força de sua sensibilidade ao se confrontar, no cotidiano, com homens rudes. Um dos filmes mais pessimistas já realizados em Hollywood.

Quanto mais quente melhor (1959) – Volta e meia, eleita uma das melhores comédias de todos os tempos, essa pérola com ação frenética, diálogos inteligentes e humor delicioso do mestre Billy Wilder, traz a atriz em atuação exuberante como a cantora de um coral em que fazem parte Jack Lemmon e Tony Curtis, disfarçados de mulheres. Deliciosa escada dos dois astros de Hollywood, a beldade quase rouba a cena.

O pecado mora ao lado (1955) – Reza a lenda que sete anos é o tempo padrão para que a comece a crise no casamento, detalhe que se torna pertinente quando sua vizinha é a suculenta Marilyn Monroe. É o que  acontece nessa despretensiosa comédia de Billy Wilder, um diretor que sempre soube explorar os atributos artísticos e físicos da estrela. Basta só lembrar as cenas das calcinhas na geladeira e do quente vapor do metrô levantando sua saia. Para deleite de um Tom Ewell.

Almas desesperadas (1952) – Imagine se sua babá fosse Marilyn Monroe e ela ficasse furiosa se tivesse seu romance atrapalhado porque você é uma criança mimada. Estrelado por Richard Widmark, esse drama noir nos enche de prazer revelando o lado dramático da atriz num papel sombrio.

A malvada (1950) – Obra-prima de Joseph L. Mankiewicz, o filme traz uma rápida participação da atriz como uma fã deslumbrada, mas suficiente para exibir todo o seu encantamento e charme como uma autêntica it girl.

* Este texto foi escrito ao som de: Goodbye yellow brick road (Elton John – 1973)

Goodbye Yellow

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