The Smiths – A light that never goes out

Morrissey e sua trupe em clássica foto na época do lançamento de "The Queen is dead".

Morrissey e sua trupe em clássica foto na época do lançamento de “The Queen is dead”.

Acredite, há mais em comum entre Renato Russo e Morrissey, o afetado e sensível líder dos Smiths, do que possa supor nossa vã filosofia. E descobri isso e muito mais ao ler a biografia The Smiths – A light that never goes out, escrita pelo jornalista britânico Tony Fletcher. E sabe do que mais? Lá pela página 500 e pouco, já tinha virado fã incondicional da banda e da poesia confessional de Morrissey, um dos maiores poetas do rock. “Sou humano e preciso ser amado”, desabafa ele na canção: How soon is now?, a primeira do grupo a fazer sucesso na América.

Para contar a trajetória de Morrissey, Johnny Marr – o criativo guitarrista da banda -, e companhia, ao longo de um calhamaço de mais de 600 páginas, o autor chafurdou nas origens de cada um dos integrantes, realçando, sobretudo, a importância da cidade de Manchester não apenas dentro de um contexto político e econômico no cenário britânico, mas também cultural, com a efervescente cena musical dando identidade ao lugar. Um lugar de onde vieram os Smiths, mas também os Hollies, Joy Division, Buzzcocks, Happy Mondays, Stone Roses e Oasis.

Smiths 2Assim, algumas surpresas me foram reservadas ao longo das páginas de A light that never goes out. Uma delas diz respeito à origem irlandesa dos dois principais integrantes da banda, Morrissey e Marr, e de como essa ascendência foi determinante, a partir de um olhar sociológico de Tony Fletcher, para a reintegração deles dentro da sociedade inglesa a partir de vários aspectos sociais e culturais.

“Talvez o exemplo mais extremo da herança cultural dos Smiths em sua terra natal tenha sido a batalha política pelo seu afeto”, teoriza o autor nas primeiras páginas do livro.

Outro detalhe importante para mim diz respeito às influências culturais de Morrissey, o diretor artístico da banda, que ia desde ao realista teatro britânico da década de 50/60 – com destaque para a mítica peça A taste a honey, de Shelagh Delaney -, passando pelas estrelas do cinema europeu e norte-americano dessa época, a banda norte-americana New York Doll e o glam rock de T-Rex e David Bowie, até chegar ao texto rebuscado e irônico do dândi Oscar Wilder, um dos grandes ídolos de Morrissey.

O curioso é que, para mim, quando lia às traduções das canções dos Smiths, achava que aquele estilo pomposo de Morrissey escrever, ou seja, entre o barroco e o elisabetano, era uma referência à lírica de Shakespeare, mas estava mais intrinsecamente ligado, como mostra Fletcher, à cosmologia de Oscar Wilde e seus dramas pessoais. Wilde, aliás, seria seu primeiro herói de verdade, um grande modelo de inspiração. E daí o fato de não só o aspecto artístico do autor de O retrato de Dorian Gray sensibilizar o líder dos Smiths, mas também sua polêmica trajetória de vida pessoal.

“É uma total desvantagem gostar de Oscar Wilde, principalmente quando você vem da classe trabalhadora”, diria certa vez Morrissey.

* Este texto foi escrito ao som de: The Queen is dead (The Smiths – 1986)

The queen is dead

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s