As sete vampiras (1986)

A deliciosa vampira Simone Carvalho soltando as feras e outras coisas no filme

A deliciosa vampira Simone Carvalho soltando as feras e outras coisas no filme

Bom, para quem não sabe, Ivan Cardoso é o inventor, no Brasil, do Terrir, gênero cinematográfico em que o terror e o humor, junto com uma pitadinha de sacanagem, andavam de braços dados, como dizia o Raul Seixas, num “romance astral”. Um dos clássicos do cinema nacional dos anos 80, As sete vampiras, que vi outro dia no Canal Brasil, é um dos sucessos desse fotógrafo que teimou em virar cineasta e, meio que na vontade e na raça, conseguiu ir longe pelos caminhos do audiovisual. Deu certo. Pelo menos à sua maneira.

Antecessor da obra cult O escorpião escarlarte (1990), o filme conta a história de uma professora de dança (Nicole Puzzi) que, depois de saber que o marido foi devorado por uma planta carnívora oriunda da África, passa a viver reclusa em sua mansão, escondendo um segredo que irá perdurar ao longo de toda a trama. Convencida por um grande amigo a sair desse exílio voluntário, ela aceita então a produzir um número moderno de dança para badalada casa noturna intitulado, As sete vampiras. O sucesso do projeto é ameaçado por uma série de misteriosos assassinatos.

“Elas querem o meu coração/Mas isso eu não dou”, diz a letra da trilha inspirada no título do filme composta por Léo Jaime, um dos atores da fita.

Como a polícia não consegue solucionar o caso desse suposto serial killer, entra em ação o As setes vampirasatrapalhado detetive Raimundo Marlou (Nuno Leal Maia), que junto com a descolada secretária Maria (Andréa Beltrão), descobre pistas que podem levar ao autor dos crimes.

Querido da cena underground carioca e um dos herdeiros da turma do cinema marginal, grupo do qual tinha e tem como amigos Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, Ivan Cardoso aprendeu a fazer filmes no esquema de guerrilha. Ou seja, com pouco recurso, mas contando com a solidariedade e entusiasmo de um elenco de pesos formado por beldades como Lucélia Santos, Simone Carvalho e astros da Atlântida do naipe de um Ivon Curi e o galã John Herbert.  Dedé Santana e o tio Colé, também fazem parte dessa divertida brincadeira.

Embora um tanto quanto tosco, mas longe de parecer amador, As sete vampiras, mistura com propriedade referências marcantes da trajetória do cineasta como a estética de terror dos filmes B, as reviravoltas das histórias em quadrinhos policiais como X-9, Detective e Sherlock Holmes, lindas e eróticas musas e o sacolejante rock de Buddy Holly e seus contemporâneos.

E só para constar nos autos. A obsessão de Ivan Cardoso por vampiros vem de longa data, desde 1970, quando dirigiu o poeta Torquato Neto no curta-metragem, Noferatu no Brasil, uma divertida e tropicalista sátira ao clássico de 1922 dirigido por F. W. Murnau.

* Este texto foi escrito ao som de: Sessão da tarde (Léo Jaime – 1985)

Léo Jaime - Sessão da tarde

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