Astros do cinema – Marlon Brando

Brando na pele do rude e sensual Stanley Kowalski, do filme baseado em clássico de Tennesse Williams...

O ator na pele do rude e sensual Stanley Kowalski sob o olhar de Tennesse Williams…

Eterno rebelde dentro e fora do cinema, Marlon Brando, desde a primeira vez em que apareceu nas telonas, sempre manifestou um magnetismo e intensa presença que o acompanhariam, para o bem ou mal, até os últimos dias de vida. Irresistível como ator e personalidade, dono de talento inquestionável, carisma espontâneo e beleza singular, conseguia arrancar suspiros e elogios mesmo dos desafetos. E olha que eram muitos.

Claro, Marlon Brando, que era avesso ao sucesso e à popularidade, não era uma unanimidade, mas sua figura e passado de talento e sucesso reconhecidos impunham respeito. Daí o fato do ator ter dirigido o faroeste mais esquisito da história do cinema, A face oculta (1961), ganhar milhões por uma cena de minutos como o pai do Superman e eternizar no cinema a figura marcante do mafioso Don Corleone em O poderoso chefão que, o tempo todo, atuando com as bochechas cheias de algodão. Não satisfeito, ao ganhar o seu segundo Oscar de melhor ator por este papel, em 1972, ao invés de receber o prêmio, enviou uma pseudo-indígena para representá-lo na cerimônia e discursar sobre a maneira equivocada em que o cinema retratava esses povos nas telonas. O episódio, claro, renderia um comentário espirituoso do bardo canadense Neil Young na canção Pocahontas.

“E talvez Marlon Brando/Vai estar lá ao lado da fogueira/Sentaremos e conversaremos sobre Hollywood/E as coisas boas lá para alugar/(…) Marlon Brando, Pocahontas e eu”, canta.

Filho de um pai negligente e uma mãe alcoólatra com que tinha uma relação de amor e ódio, Brando, que trazia no sangue ascendência irlandesa, holandesa, alemã e inglesa, se rebelou contra o sistema da vida externando e filtrando sua dor e fragilidade da alma por meio do método Stanislavski, que resumia em construir os personagens a partir da vivência de dramas pessoais.

O resultado? Bem, um estilo de atuação moderno e visceral, com imersão psicológica no personagem que dividiu Hollywood em antes e depois de sua passagem. O resto é lenda. E aqui nós só publicamos a lenda.

ùltimo tango em ParisTop Five – Marlon Brando

O poderoso chefão (1972) – Na pele de Don Corleone, chefe de uma das mais poderosas famílias da máfia na América, Marlon Brando aqui ressurge das cinzas em atuação que não é somente uma das melhores de sua carreira, mas da história do cinema.

O sindicato dos ladrões (1954) – Foi a fita que catapultou a carreira do ator na pele de um rebelde nato que se indigna com as falcatruas do irmão vivido por Rod Steiger. Realismo americano no talo e atuação visceral lhe rendeu seu primeiro Oscar.

Uma rua chamada pecado (1951) – Segundo filme realizado junto com Elia Kazan a partir de peça clássica de Tennesse Williams, Brando aqui suscita tensões eróticas e morais a partir da chegada de uma cunhada (Vivien Leigh) cheia de desejo. É o encontro na tela entre a delicadeza frígida e a brutalidade sensual.

Um tango em Paris (1972) – A primeira vez que ouvi falar desse filme foi numa música do Raul Seixas e não tinha a mínima ideia do que o roqueiro baiano estava falando. Depois fui ver o filme e me marcou aquele ménage-a-trois entre Marlon Brando, Romy Schneider e uma barra de manteiga.

Vidas em fugas (1960) – Dirigido pelo mestre Sidney Lumet, apresenta o trágico abandono de dois personagens vividos por Brando e Anna Magnani, ambos em lados opostos da moral humana e do sistema: ele um artista andarilho em busca de um pouso de cada dia. Ela uma mulher casada, sedenta de desejo, prisioneira das correntes de um marido ciumento e doente que mal levanta da cama. O resto fica por conta da imaginação do espectador.

* Este texto foi escrito ao som de: Unplugged (Neil Young – 1993)

Neil Young acústico

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