Astros do cinema – Humphrey Bogart

Bogie, classe e charme com três doses de uísques à frente da humanidade

Bogie, classe e charme com três doses de uísques à frente da humanidade

Ele não era exatamente o típico galã hollywoodiano. Não com o mesmo número que um Gary Cooper ou Clark Glabe, mas seu inconfundível charme e carisma na tela forjariam ao longo da carreira um novo modelo definido pelo jornalista Ruy Castro como o feio charmoso. Se hoje Jean-Paul Belmondo e Christophe Lambert são rotulados de galãs, o mérito é todo de Humphrey Bogart, cool até o último rolo e com algo mais que anda em falta em alguns astros de cinema: classe. “Não tem para vender e não é uma coisa que você possa adquirir, como um brozeado. Ou você tem ou não tem. Posso dizer isso porque nasci com ela. Mas posso também passar bem”, dizia.

E não era por menos. Filho de um respeitado médico de Nova York e ilustradora de revistas para elite local, ele morava no lado mais chique da cidade e desfrutou na juventude do bom e do melhor. E desperdiçou também. Conseguiu ser expulso de quase todas as escolas que freqüentou e quando chegou à idade certa, para horror da família, deu às costas para Yale e se alistou na marinha.

Até pela falta de opção, quando parou de usar farda, foi ser ator de teatro e não fez feio porque, não demorou muito, já estava fazendo filmes em Hollywood, sempre em papéis de gangsters. Mas um em especial chamou atenção, o perturbador vilão Duke Mantee em A floresta petrificada, de 1936. O resto é história.

Autêntico boêmio, Bogie, como era chamado entre os mais íntimos, tinha sempre em mãos um copo e cigarro na boca que, junto com a elegante garbadine, seriam sua marca registrada. Minha identificação com o personagem Rick Blane de Casablanca é quase mediúnica porque, assim como ele, eu nunca fico com a mocinha no final. Quando Bogart morreu, em 1957, aos 58 anos, o cinema perderia um de seus tipos mais originais e também um pouco de virilidade. “A humanidade está três uísques atrasada. Se todo mundo tomasse esses três uísques, não teríamos tanto problema”, imortalizou.

Uma aventura na martinicaTop Five – Humphrey Bogart

Casablanca (1942) – Não importe quantas vezes você tenha assistido ao filme, sempre será uma experiência sensual inesquecível. E tudo por conta da química perfeita entre a bela Ingrid Bergman e o cool Bogart, o macho mais sensível de Hollywood. “De todos os botequins, em todas as cidades do mundo, ela tinha de entrar no meu”, lamenta o personagem Rick.

O tesouro de Sierra Madre (1948) – A carga psicológica do personagem Dobbs, um desempregado ensandecido pela cobiça, forma um contraste adorável com a proposta humanista do diretor John Huston. Um dos melhores papéis do ator.

Uma aventura na Martinica (1945) – O filme não marcaria apenas a estreia de Lauren Bacall no cinema, mas também o coração de Bogie, que cairia de amores pela jovem atriz e viveria o melhor casamento de sua vida. “Se precisar de alguma coisa… Assovie…”, diz ela maliciosa, entre um tiro e outro.

A condessa descalça (1954) – No filme ele é Harry Dawes, um dos confidentes da diva vivida pela quente Ava Garner. Bem à vontade no papel, o ator exibe aqui com propriedade a elegância e carisma que o marcaria nas telonas.

A floresta petrificada (1936) – Baseado em peça homônima de Robert Sherwood, o ator é a personificação da bandidagem na pele de um gangster com cabelo à escovinha, barba por fazer e olhos de psicopata. Quando o ator fazia papel de mal era melhor ainda.

* Este texto foi escrito ao som de: Back to black (Amy Winehouse – 2006)

Amy

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