Roberto Carlos em detalhes 2

O rei e o réu numa disputa feroz pela liberação da biografia que é uma das melhores já lançada pelo país

O rei e o réu numa disputa feroz pela liberação da biografia que é um sundae de boa

Quem leu a sensacional biografia do cantor Roberto Carlos escrita pelo jornalista e historiador Paulo César de Araújo, Roberto Carlos em detalhes, proibida pelo artista em 2006, lamenta, categoricamente, atitude tão desprezível e retrógrada. Mas diante de tamanha precisão e riqueza de informação com relação à vida daquele que é o maior e mais popular cantor brasileiro de todos os tempos, dá até para entender tal decisão. Veja bem. Dá para entender, não dá aceitar, claro.

Simplesmente está tudo lá. Nada parece ter passado despercebido ao hercúleo trabalho de pesquisa do jornalista que, além de bom profissional, é um grande fã do cantor e compositor. Mas essa admiração pelo autor de clássicos como Quero que vá tudo pro o inferno e Detalhes, não fez com que ele omitisse ou até escondesse as coisas erradas, polêmicas e confidenciais em que Roberto Carlos se meteu, se dando ao trabalho de contar ao leitor, os fãs do cantor, tudo. Ti, ti por ti, ti.

Escrito em estilo de trabalho acadêmico, mas com narrativa elegante que lembra um Ruy Castro, o livro, como o título enfatiza, revela, sem desrespeitar o cantor, detalhes de sua vida amorosa e pessoal sem corte e censura. São passagens delicadas da vida do artista que talvez o tenha incomodado a ponto de mover uma queixa-crime constando oito episódios que não deveriam estar na obra e seis declarações consideradas ofensivas pelo artista.

“Das quatorze passagens do livro citadas na queixa-crime, dez estão relacionados à temática amorosa-sexual”, chegou a lamentar o biógrafo Paulo César de Araújo numa matéria na Folha de S. Paulo em maio de 2014. A seguir, além do episódio do acidente que o deixou sem parte da perna, suas aventuras amorosas, mais cinco passagem da vida do artista que devem tê-lo deixado furioso:

O avarento – Segundo o autor, Roberto Carlos sempre teve o receio de alguém ganhar dinheiro às suas custas. Essa mentalidade, aliada ao problema do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), teria o motivado a proibir a biografia, garante Paulo César de Araújo. Foi assim que, no auge da Jovem guarda, movimento que o lançou nacionalmente como ídolo pop, ele proibiu que a marca Calhambeque, na época licenciada por meio de uma agência de publicidade para vender produtos como calças, camisas, minissaias, bolsas, blusões, cintos, bonés, botas, sapatilhas, chaveiros e outros apetrechos, fosse cancelada. Tudo porque a fiscalização contra a pirataria e apropriação indébita nos anos 60 ainda estava engatilhando. Jovem Guarda

O acidente – Como o artista cantava nas músicas, sua paixão pelos carros e a velocidade não era segredo para ninguém. De modo que, assim que começou a ganhar dinheiro, não demorou muito para fazer coleções de carangos. Mas como todo amante das corridas, Roberto Carlos se envolveria em dois acidentes graves em sua vida. Um em 1964 e outro em 1966. O primeiro, com o rei ao volante e fazendo uma vítima fatal, o secretário do cantor Nelson Gonçalves, Roberto de Oliveira. “Eu gosto de correr, mas dirijo bem. Perdemos a roda numa curva, não tive a menor culpa. Sofri muito com a morte daquele amigo”, revelaria tempos depois.

O flerte – Sempre elegante, o autor mostra que o artista sempre se deu bem com as mulheres e que certa vez se encontrou as escondidas com a atriz Sônia Braga num hotel em Porto Alegre, depois de consagrada pela novela Dancin’ Days. Um encontro que teve sabor de vingança, já que diva, então fã ardorosa do ídolo, seria rejeitada pelo diretor Roberto Farias, para fazer o papel de uma das tietes do cantor no filme, Roberto Carlos em ritmo de aventura (1967).

O alienado – Claro que isso não influenciou em nada no fato de Roberto Carlos escrever lindas canções de amor, esperança e paz, mas o autor mostra que ler nunca foi o forte de Roberto e Erasmo Carlos e que a dupla sempre esteve à margem de questões políticas envolvendo o país. “Eu nunca quis saber de política. Não gosto de falar do que não conheço. Meu negócio é música”, declarou certa vez, no que fez bem.

O censor – Na época do lançamento do filme Je vous salve Marie, obra polêmica do diretor francês Jean-Luc Godard em que Nossa Senhora é tratada de forma vulgar, o cantor apoiaria a proibição de exibição da fita no país. Chegou a mandar um telegrama ao presidente José Sarney o felicitando pela decisão de tirar o filme das salas de cinema em todo o Brasil. “O telegrama de Roberto Carlos a José Sarney envergonha nossa classe”, protestou um raivoso Caetano Veloso.

* Este texto foi escrito ao som de: Roberto Carlos (1980) RC 1980

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