Belle & Sebastian: Fofura retrô em forma de som

Stuart Murdoch, o lado sentimental e cerebral da banda escocesa que deve vir ao Brasil este ano

Stuart Murdoch, o lado sentimental e cerebral da banda escocesa que vem ao Brasil este ano

Bastou sair uma matéria num dos periódicos mais importantes de São Paulo para acender uma luz de nostalgia dentro do meu peito, com a notícia de que o Belle & Sebastian poderá tocar no Brasil novamente. Bem, por um milhão de motivos, nunca vi uma apresentação da banda escocesa por aqui e acho que agora poderá ser a oportunidade de ouro de ver e ouvir de perto Stuart Murdoch e sua trupe de perto.

Para mim, as canções do grupo que surgiu em meados dos anos 90, têm sabor de saudade no ar, sei lá, um clima assim de flamboyant psicodélico com aquela alegoria sonora cheia de lirismo retrô e charme visual pseudodemodê, seja lá o que diabos isso queira dizer. E eu, que sofro de uma melancolia crônica sufocante, logo me sentia reconfortado como se tivesse ganhado o beijo da garota amada ao ouvir as baladas folks pop simples do grupo. Não sei você, mas um pedaço gostoso da minha vida no início dos anos 2000 foi embalado pelos quatro primeiros discos de capa monocromáticas da banda.

“O desespero é coisa do diabo/Ou a insensatez da mente vazia de um garoto/Agora eu me sinto perigoso, dar voltas de ônibus pela cidade é um triste hobby, cantava Murdoch na espirituosa, The state I am in, faixa do primeiro disco.

Belle & Sebastian 6Cínicos, cultos, finos e sagazes, os integrantes da banda liderada pelo sensível letrista, Stuart Murdoch, surgiu em 1996 como um projeto despretensioso de final de curso de faculdade. O nome da banda é uma referência a um romance da escritora francesa, Cécile Aubry. Mas depois que as mil cópias de Tigermilk, o tal disco acadêmico experimental, viraram uma sensação entre ouvintes e crítica especializada, logo se notou que de despretensioso Stuart Murdoch e sua trupe não tinha de nada.

Um sopro de delicadeza sentimental em meio à barulheira britpop comandada pelo Oasis e outros hooligans do pedaço, misturando surpreendentes e fofos arranjos de cordas barrocas, teclados nostálgicos e violões introspectivos, o Belle & Sebastian sempre nos sugam para dentro de uma sofisticada narrativa literária agridoce cheia de referências intimistas, sociais e trágicas.

“Deitado em minha cama, lendo francês/Com a luz muito brilhante para os meus sentidos/A partir deste esconderijo, a vida era demais”, cantam eles na novíssima, Nobody’s Empire, uma das faixas de trabalho com pegada glam rock do mais recente álbum do grupo, Girls in peacetime want to dance, o primeiro em cinco anos, a ser lançado nos próximos dias nos Estados Unidos.

As influências de sempre, Smiths, Big Star, Os Mutantes e Teenage fanclube, este último, outra doçura made in Scothland, continuam lá, em faixa como The cat with the cream, The party lene e a esmagadora Enter Sylvia Plath, homenagem do intelectual Stuart Murdoch à poetisa norte-americana, Sylvia Plath, que se suicidaria em Londres, em 1963.

Quer saber? Acho que eu cometeria suicídio se perdesse dessa vez essa apresentação dos meninos escoceses no Brasil.

* Este texto foi escrito ao som de: Girls in peacetime want to dance (Belle & Sebastian – 2015)

Belle & Sebastian 2. Girls...

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