O egípcio (1954)

Épico é baseada em obra homônima do escritor finlandês Mika Watari

Épico é baseada em obra homônima do escritor finlandês Mika Waltari

Talvez de todos os épicos já realizados por Hollywood em seus tempos áureos, O Egípcio, de 1954, seja o de menor sucesso. Pelo menos aqui no Brasil. Nunca vi um texto sobre esse título em lugar algum. E um dos motivos pode estar no fato de que, nenhum dos personagens da trama baseada em livro homônimo do finlandês Mika Waltari, pertence ao universo bíblico, detalhe que estava intrinsecamente ligado a esse gênero de filme.

Publicado em 1945, a obra é um dos principais sucessos literários da carreira do escritor e teve como fonte, clássico texto milenar do Antigo Egito: As aventuras de Sinué. Ou seja, também a base do roteiro desse filme dirigido por ninguém menos do que Michael Curtiz, o sujeito responsável por imortalizar os beijos de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman no inesquecível romance, Casablanca (1942).

Conhecido pelos seus romances históricos, Mika Waltari foi uma das minhas gratas O egípciosurpresas nos meus tempos de universitário quando li o emocionante, João, o pelegrino. Na trama baseada no seu O Egípcio, Edmund Purdom (ator britânico do qual nunca tinha ouvido falar), é Sunuhe, um menino que, tal qual Moisés, é abandonado nas águas do rio Nilo, até ser encontrado por um médico de uma pobre aldeia, o criando como um filho. E tal qual o pai adotivo, ele passa a também se dedicar aos cuidados da enfermidade alheia, tornando-se um experiente e respeitado jovem no ramo.

“Não tenha medo da morte” ensina o pai. “Em nossa profissão ela é uma companheira habitual”, filosofa o velho.

Um dia, acompanhado de seu melhor amigo, o extravagante e boêmio Horemheb (Victor Mature), sem querer salva do ataque de um leão o sucessor do trono do Egito, Aquenáton (Michael Wilding). Como gratidão, Suhune é empossado médico da corte do faraó, mas esse up grade na carreira o leva à ruína quando conhece a diabólica e interesseira cortesã, Nefertiti (Anitra Steves). Com os sentimentos traídos e negligenciados pela cobiça da devassa mulher, lhe resta agora dar a volta por cima com a ajuda do leal servo Kaptah (Peter Ustinov) e a admiradora Merit (Jean Simmons), a quem ele desprezou a vida inteira.

Com impecável direção de arte e figurinos deslumbrantes, cenografia suntuosa, à altura dos grandes épicos da época, O Egípcio peca pelo fraco roteiro, pobre na dramaticidade, rico na mediocridade narrativa que enlaça tramas e subtramas dignos de um dramalhão mexicano. Temas como vingança, amor ao próximo, perdão e castigo são retratados de forma vazia e apática. A exceção na fita é o ator Peter Ustinov, com talento nato para transformar pequenos papéis em atuações marcantes, fazendo desse grande astro um impecável ladrão de papéis.

Há muito tempo que eu estava namorando esse filme nas prateleiras da Livraria Cultura e finalmente pude matar a vontade de apreciá-lo vendo outro dia em casa. Uma pena que o prazer não tenha sido condizente com o tamanho da vontade.

* Este texto foi escrito ao som de: The Smiths (1984)

The Smiths

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