Musas do cinema – Ingrid Bergman

Deusa nórdica de beleza ofuscante e lágrimas incandescentes, oníricas...

Deusa nórdica de beleza ofuscante e lágrimas incandescentes, oníricas em cena…

Um dia, assim como o poeta Manuel Bandeira, vou-me embora para minha Pasárgada que será a Escandinava. Lá, todas as mulheres têm sardas e o sol é o da meia-noite. Quem sabe eu não encontro minha Ingrid Bergman? Uau, o meu amor à primeira vista pela atriz sueca nasceu no dia em que a vi no clássico Casablanca (1942), talvez um dos maiores mito românticos do cinema. Acho que já tinha visto dois ou três títulos com a beldade nórdica aqui e acolá, mas quando a vi em Casablanca, charmosa e misteriosa, quase tive um treco, por assim dizer. A fita era em preto e branco, mas quando ela entrava em cena pela primeira vez, com seus ofuscantes olhos azuis brilhantes, sei lá, parecia que tudo ficava azul, divino e maravilhoso. E suas lágrimas eram de um brilho incandescente, algo onírico.

E são com essas impressões platônicas de uma das divas do cinema mais apaixonantes que abro a série, musas do cinema em meu blog, alternadamente com o tema, Galãs do cinema, a partir de hoje, sempre aos domingos. Símbolo de uma beleza quase santificada, Ingrid Bergman é minha heroína do cinema não apenas pela beleza diáfana e transcendente, mas também pela coragem em subverter o sistema numa época em que ser conservador e hipócrita era moderno não apenas em Hollywood, mas em qualquer parte do planeta.

E assim, lá estava ela, um ideal de virtude e beleza feminina com seu ar de fada capaz de realizar os mais impossíveis milagres, em pleno auge do sucesso na América, dando um pontapé no marido e abandonando a filha para viver com o grande amor de sua vida até então, o sedutor diretor italiano Roberto Rossellini, cujos casos amorosos eram tão discutidos quanto seus casos amorosos. O resto é glamour.

StromboliTop Five – Ingrid Bergman

Casablanca (1942) – Um deslumbramento em cena, aqui a diva é Lisa, uma estrangeira dividida entre o amor de um individualista perdido no Norte da África (Humphrey Bogart) e o líder da resistência (Paul Henreid). Muito da mítica da fita está no casal Bogart e Ingrid. Eles sempre terão Paris, nós nunca nos esqueceremos de Ingrid Bergman.

Por quem os sinos dobram (1943) – E para provar que a atriz não era tão vaidosa assim aqui ela se entregava de corpo e alma ao trabalho, passando boa parte da fita de cabeça raspada, na pele de uma refugiada espanhola em plena guerra civil. Mesmo assim um encanto.

Quando fala o coração (1945) – Primeiro de três filmes que faria com o mestre Alfred Hitchcock, a deusa nórdica surge em atuação luminosa dentro de atmosfera sensual criada pelo diretor a partir do tema da psicanálise e colaboração de luxo do surrealista Salvador Dalí.

Stromboli (1949) – Primeiro filme da atriz com o diretor italiano Roberto Rossellini, num total de seis, traz a história de uma refugiada lituana que foge com o marido para uma ilha no Mediterrâneo localizada aos pés de um vulcão que dá título à fita. Durante as filmagens a atriz e o diretor, ambos casados, tiveram um caso que escandalizou o mundo do cinema.

Sonata de outono (1982) – Duelo de titãs provável, mas que demorou a concretizar nas telas, com a parceria de Ingrid e Ingmar Bergman, a trama gira em torno de um carrossel de amargura, ressentimentos e traumas vividos por duas mulheres, mãe e filha. Ingrid e liv Ullmann. Mesmo envelhecida, a atriz exibia um charme inconfundível.

* Este texto foi escrito ao som de: Ring ring (ABBA – 1973) Abba

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s