Robin Hood de Chicago (1964)

Frank Sinatra tira onda de Robin Hood na Chicago de Al Capone com uma turma da pesada

Sinatra (centro), na pele de um Robin Hood na Chicago de Al Capone com turma da pesada

Outro dia, ao ver que estava rolando no TCM o filme, Robin Hood de Chicago, imediatamente eu corri para minha estante mágica e desenterrei de lá o filme em versão DVD já que, como é sabido, poucos filmes na programação desse canal a cabo é legendado. E cá entre nós, ver qualquer filme com Frank Sinatra – simplesmente “A Voz” -, e Dean Martin dublado é pior do que bater em mãe. Pior que me dei conta de que, apesar de desembalado, eu nunca tinha assistido ao filme. Bem, se assisti não me lembro de nada.

Produzido pelo próprio Frank Sinatra, o filme era uma anedota bem cara de pau tendo em vista o velado envolvimento do cantor com a máfia de Los Angeles. Era como se ele, intocável, dissesse assim: “Ei, sou mesmo um bandido, mas olha o que eu posso fazer!”.

Na trama, ele é Robbo, uma versão gângster de Robin Hood na Chicago de Al Capone e outros famigerados bandidos em plena Lei Seca. E para mostrar que ninguém estava se levando a sério, a fita já começa com Edward G. Robinson – ator símbolo desse gênero de filmes – na pele de um chefe matusquela sendo liquidado por seus capangas.

ROBIN HOOD DE CHICAGOPara vingar a morte do grande amigo e mentor, Robbo entra em pé de guerra com Gisborne (Peter Falk), o dono do outro lado da cidade e para tanto, irá contar com ajuda de um neurocirurgião malandro vivido pelo sempre charmoso Dean Martin. Soma-se a trupe um gaiato Sammy Davis Jr. e pronto, está formada uma versão reduzida do Rat Pack, a turma da pesada de bebedeiras e farras do artista pelas ruas e cassinos de Las Vegas e Los Angeles.

A rivalidade entre os dois gângsters fica acirrada quando Robbo, despertando a inveja do inimigo, é surpreendido com a notícia de que é um herói local ao ser associado com uma lenda do passado.

Nitidamente uma piada, o filme, que conta com direção de arte e figurinos honestos, é mais uma daquelas aventuras artísticas pretensiosas para satisfazer o ego de uma grande estrela, mas, se o astro em questão for Frank Sinatra, qualquer excesso é bem-vindo e permitido. E, mesmo que o roteiro não seja lá essas coisas, algumas situações são divertidíssimas, como aquela em que um cassino suntuoso inteiro se transforma, num piscar de olhos, numa paupérrima igreja tendo Bing Crosby como pastor, e testemunhas molambentas, o trio Frank Sinatra, Dean Martin e Samy Davis Jr.

Ah, sim, e como não poderia deixar de ser, todas as estrelas da fita cantam em cena, destaque pelo charmoso número de dança protagonizado com chapéu e bengala por Bing, Frank e Dean. Bom fora da lei que é Sinatra rouba a cena no último minuto com a bela canção indicada ao Oscar, My kind of town. Uma piada só é boa se bem contada.

* Este texto foi escrito ao som de: Strangers in the night (Frank Sinatra – 1966)

Strangers in the night

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s