As três noites de Eva (1941)

No Éden de Preston Sturges, a Eva Barbara Stanwick coloca o Adão Henry Fonda em maus lençóis

No Éden de Preston Sturges, a Eva Barbara Stanwick coloca o Adão Henry Fonda em maus lençóis

Você sabe quem foi Preston Sturges? Não?! Não se acanhe. Até outro dia eu também não tinha a menor ideia de quem era o sujeito, mas fui apresentado ao cara pelo meu ídolo Ruy Castro. Mas se você quer saber, de fato, quem foi o camarada em questão então dê um teco no Telecine Cult este mês e confira a comédia, As três noites de Eva, filme de 1941 estrelado por Henry Fonda e a charmosa Barbara Stanwick.

Mas por favor, não confundir com o drama psicológico de 1957, As três faces de Eva, dirigido por Nonnally Johnson e protagonizado pela bela Joanne Woodward. O estilo de Preston Sturges de ver a vida era, digamos, mais mundano e vagabundo, metido em enredos cheios de personagens cínicos e amorais que fazem da mentira uma verdade absoluta. Quer ver? Na trama, a bela Barbara Stanwick é Jean Harrington, filha de um trambiqueiro do mundo dos jogos que espera afanar a grana de um milionário qualquer à deriva. O alvo é o paspalhão Charles Pike, Henry Fonda, impagável na pele de um herdeiro da indústria da cerveja que não quer saber de dinheiro, mas, pesquisar criaturas peçonhentas como aranhas, sapos e cobras.

Depois de passar um ano chafurdado na Amazônia, ele está de volta à civilização como o Lady  Eve 2partido da vez, não passando alheio aos olhos, corações e interesse de jovens sem caráter como a sensual Jean, que arquiteta um plano para afanar o rapaz até o último centavo. Acontece que a ingenuidade de Pike é algo comovente e logo ela se apaixona, pra valer, pelo sujeito, colocando em risco os planos interesseiros de seu pai (Charles Coburn).

“Está vendo, os filhos de hoje não obedecem mais os pais”, lamenta.

Lá pelas tantas, alertado por um fiel escudeiro das tramóias que está prestes a ser vítima, Pike cancela, na última hora, um casamento a caminho, despertando a ira de uma mulher despeitada e rancorosa que promete vingança se passando, mais tarde, pela aristocrata Lady Eve Sidwich, o pecada em carne e osso. As reviravoltas desse imbróglio sentimental irão culminar numa série de atrapalhadas constrangedoras e divertidas.

“Pare, por favor! Opa, eu pensei que fosse um cavalo”, desconversa ela, cheia de malícia, após um incidente cheio de erotismo com a aproximação por trás de Pike.

Ousado, abusado e moderno, Preston Sturges foi o primeiro roteirista da história do cinema em Hollywood a sentar na cadeira de um diretor, abrindo as portas para uma turma da pesada encabeçada por John Huston, Billy Wilder e Joseph Mankiewicz. Discípulo do estilo provocador de Ernest Lubistsch, um dos mestres das comédias malucas (Screwball comedy), sempre recheou suas histórias com diálogos afiados e maliciosos, mas com um toque de comédia pastelão que marcaria seu estilo inconfundível. E os diálogos dos filmes de Preston Sturges são o que há de melhor. “Minha filha, não seja vulgar. Somos vigarista, mas não pessoas vulgares”, diz o pai de Jean.

Uma versão moderna da passagem bíblica sobre a origem da humanidade, o filme tem um desfecho exemplar. Nada supera o amor, nem mesmo as falcatruas, confira.

 * Este texto foi escrito ao som de: A northert soul (The Verve – 1995)

Verve 1995

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