Joe Cocker: The mad dog englishman

A performance do artista britânico em Woodstock, com uma mísica dos Beatles, entrou para a história

A performance do artista britânico em Woodstock, entrou para a história

Eu sei, é um clichê vagabundo dizer isso, mas o que eu posso fazer se Joe Cocker, assim como para muitos garotos da minha geração que estava começado a se interessar por rock, me despertou atenção com sua atuação visceral, hipnótica e convulsiva naquela apresentação antológica em 1969, no Festival de Woodstock? E com uma versão de uma canção dos Beatles que não é apenas infinitamente melhor do que a do fab four, a soberba With a little help from my friend, mas uma das mais intensas já realizadas de uma música dos meninos de Liverpool! E quer mais? Vê-lo se entregar de forma acachapante diante de milhares de pessoas como se estivesse num transe é de arrepiar.

“Foi como um sentido maravilhoso de comunicação”, resumiu sua performance.

Joe Cocker 6Mas resumir toda uma carreira baseada apenas num único cover é ser limitado e preguiçoso. Dono de uma voz rouca inconfundível, diria que única, na cena musical, Joe Cocker talvez tenha sido um dos grandes intérpretes de sua geração, fundindo com habilidade e sensibilidade vocais gêneros como rock, blues e soul. A forma como ele se entregava a cada interpretação é um sundae. Daí o fato dele ter sido um dos grandes heróis da música britânica.

E olha, With a little help from my friend não é a única música dos Beatles que ficaria imortalizada em sua voz. Fã confesso do quarteto, o artista gravaria ainda, entre outras pérolas, Something, do mago George Harrison, e as clássicas baladas de Paul, She came in through the bathroom window e Let it be que, na sua interpretação, surge como um diabo cheio de dor dançando em sua cabeça. Agora se você quer testar o talento do cara como intérprete, então escute suas versões para os clássicos de Bob Dylan e deixe verter algumas lágrimas ao escutar Bird on a wire do bardo Leonard Cohen na sua voz.

E não se iluda com os dotes de compositor do cantor que é co-autor de canções mágicas como Change in Louise, Marjorie e sandpaper cadillac, algumas delícias de seu primeiro disco. Aliás, aproveite o feriadão deste fim de ano e dê uma escutada nos primeiros álbuns gravados pelo cara. Os dois primeiros discos são clássicos autênticos.

“Escrever uma canção é como pintar um quadro, cada música é uma cor”, diria anos mais tarde.

Título tirado de uma canção de Noël Coward, Mad dogs & Englishmen é um dos melhores álbuns gravados ao vivo nas décadas de 70, com um registro audiovisual imperdível que vale a pena ser apresentado aos amantes do bom rock ‘n’ roll. O inglês com seus cachorros loucos sabiam como agitar uma plateia. Enquanto um monte de gente fica escrevendo bobagens sobre a passagem de Joe Cocker por Woodstock, vá atrás de tesouros sonoros e visuais como esse.

Uma pena que meus ídolos da música estão me deixando, assim, tão só.

* Este texto foi escrito ao som de: Mad dogs & Englishmen (Joe Cocker – 1970)

Mad dogs

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