Nostalgia Britpop – As invasões bárbaras!

Richard Ashcroft (centro) à frente do Verve, uma das bandas mais influentes do movimento

Richard Ashcroft (centro) à frente do Verve, uma das bandas mais influentes do movimento

Parece que foi ontem, mas passado mais de 20 anos o som hooligan do britpop ainda ecoa dentro da minha cabeça com a força de um tornado, me fazendo sentir cheiro de espírito adolescente no ar. Não é por menos, rock feito com atitude, devoção e sinceridade, o movimento que sacudiu o Reino Unido nos anos 90, reciclando a sonoridade de ídolos do passado – entre eles Beatles, Who e Kinks -, tomando de assalto o resto do mundo, praticamente norteou meus anos de adolescentes e de muita gente também. Foi quando eu quis largar a vida banal que levava para montar uma banda só para ser rock ‘n’ roll star por uma noite.

Tonight, I’m rock ‘n’ roll star”, cantava os irmãos Gallagher no álbum de estreia do Oasis, a banda que abriu o caminho na cena musical britânica naqueles anos com muita pose junk e um pouquinho de arrogância fake.

E, assim, de repente lá estava eu fazendo coleção das melhores bandas do britpop depois de passar o dia inteiro ouvindo a MTV ou lendo revistas especializadas como a Showbizz, na época em que os dois eram bom pacas, claro. Abaixo, uma lista com breve comentário das dez bandas do movimento que mexeram com o meu caráter em ordem afetiva.

Oasis – Uma paixão mundial com apelo de futebol dividida por todas as classes orquestradas por dois irmãos falastrões e cheios de atitudes. (What’s the story) Morning glory? foi o álbum símbolo dessa fase da minha vida.

Verve – Brigas, separações, delírios, drogas pesadas e zilhões de incertezas cruzaram o caminho de Richard Ashcroft e sua banda embalados por uma emoção crua em forma de psicodelia melancólica e anestesiante. Urban hymns foi o disco que me apresentou a banda.Oasis logo

Radiohead – Foi ouvindo Tom Yorke e seus meninos que percebi que o britpop podia ser também triste, abstrato e existencial como o corte afiado de uma lâmina. Ok computer me pegou e cuspiu no chão como um lixo, mas antes eu já tinha caído de joelhos pela beleza angustiante das canções de The bends. Quem não chorou ouvindo o tema do Carlinhos?

Belle & Sebastian – Rebeldia em forma de fofura, os escoceses aqui liderados pelo culto e sensível Stuart Murdoch trouxe uma ternura sofisticada ao britpop poucas vezes repetidas. Cordas barrocas, órgãos retro, violões folks e vocais sutis norteiam letras cheias de referências intelectuais.

Coldplay – Durante muito tempo o Coldplay foi a banda que o grande amor da minha vida gostava, mas o amor acabou e ficou a banda, com seus hits melancólicos, doces e apaixonantes. Para mim, Parachutes é um dos melhores álbuns de estreias de uma banda.

Blur – Cinismo a la Kinks em canções que surgiam como radiografias da emergente cultura agressiva dos 90. Talvez o maior rival do Oasis, levei um bom tempo para gosta do Blur, o com aconteceu com o álbum Parklife.

Ocean colour scene – Banda subestimada do movimento, o OCS foi me apresentado por um amigo que me deu de presente a obra-prima da banda, Moseley shoals, álbum com pegada suja que lembra a melhor fase dos Stones.

Seahorses – Liderada pelo mago das guitarras John Squire, ex-Stone Roses, a banda só lançaria um único álbum, mas que registro. Do it yourself é uma caixinha de surpresas com suas baladonas conduzidas por marcantes riffs de guitarra.

Travis – Ok, a banda pode ser encarada como um simulacro bem cafona do Coldplay, mas fazer o que se sou sentimental e adoro baladas doces como um beijo ao luar. The man Who é de uma melancolia fria comovente.

Pulp – Com sua nostalgia glam rock o Pulp, liderada pelo bom letrista Jarvis Cocke bebe na mesma cartilha do Blur quando emula os Kinks para criar belas crônicas do cotidiano britânico, essência registrada no formidável Different class.

* Este texto foi escrito ao som de: Different class (Pulp – 1995)

Pulp

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