Liv e Ingmar – Uma história de amor

O filme conta com cenas belíssimas da intimidade do casal como essa...

O filme conta com cenas belíssimas da intimidade do casal como essa…

Assim como aquela garota de sorriso mágico que incendeia meu coração, Liv Ulmann foi, em boa parte, o farol na carreia do cineasta sueco Ingmar Bergman, enfim, a grande musa deste que é um dos mais importantes estetas da sétima arte. O que não é pouca coisa diante de singular declaração de amor que ele a fez certa vez.

“Você é meu Stradivarius”, declarou o diretor de obras-primas como O sétimo selo (1957) e Gritos e sussurros (1973), comparando-a ao notável instrumento clássico. “Foi o melhor elogiou que recebi”, confessa a atriz no documentário, Liv e Ingmar – Uma história de amor, em cartaz no Telecine Cult.

Dirigido pelo indiano Dheeraj Akolkar, o filme é de uma beleza narrativa comovente. Confesso que fiquei com vontade de chorar algumas vezes e chorei. A fita conta a história da conturbada relação amorosa entre um dos maiores cineastas de todos os tempos e sua eterna musa, então uma a atriz norueguesa nascida no Japão, mas que se consagrou mundialmente fazendo filmes na Suécia.

Liv & IngmarSobrepondo depoimentos da diva, hoje com 74 anos, e cartas apaixonadas, confessionais e reveladoras do diretor com cenas de filmes realizados pelos dois juntos, Dheeraj constrói um perturbador mosaico afetivo de uma convivência marcada por muita paixão, mas também por medo, raiva e no final, respeito mútuo. Dividido por temas como amor, solidão, raiva, dor, saudade e amizade, passo a passo o espectador vai se familiarizando com todos os estágios vividos pelo casal que tiveram uma filha única. Cenas belíssimas da intimidade do casal surgem na trama como importante elemento narrativo.

“Eu procurava segurança absoluta, proteção, tinha grande necessidade de afeto. Ele procurava uma mãe com braços que se abrissem para ele calorosos e descomplicados”, comenta a atriz. “Talvez nosso amor tenha nascido dessa solidão”, continua.

Pode até ser, mas como Liv mesmo explica, a convivência contribuiu para que um clima de tensão surgisse com base em sentimentos como ciúme, medo, insegurança e até certo sadismo por parte do diretor que, como é sabido, tinha um gênio difícil de lhe dá. Atormentada por dias de culpa, impaciência e rancor, a atriz confessa que se sentia vivendo numa prisão e numa passagem emblemática do documentário, lembra das crueldades do diretor com ela e o elenco do filme Vergonha, só porque ele estava com raiva dela durante as filmagens, fazendo com que um problema doméstico afetasse o lado profissional.

Claro que o que vemos o tempo em cena é a versão dos fatos do ponto de vista de Liv Ulmman, mas daí tem as cartas deixadas pelo cineasta e as cenas de vários filmes que surgem como retratos cotidianos comprometedores da vida do casal como Persona (1966) – o primeiro trabalho deles – Vergonha (1967), Gritos e sussurros (1972) e, claro, Cenas de casamento (1974). É aquela tal história, a vida imita a arte e vice-versa.

* Este texto foi escrito ao som de: Belle & Sebastian (1996)

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