Roller skate girl

De repente, uma gatinha teenage em cima de mim...

De repente, uma gatinha teenage em cima de mim…

Fim de tarde, mais ou menos 18h30 e eu a todo vapor com meus tênis matusquela fazendo caminhada no parque ao som de Oasis, mais especificamente ao som do discaço (What’s story) morning glory? quando, de repente: Pow! Crash! Splat!

E lá estava eu estirado no chão com uma autêntica roller skate girl em cima de mim no meio da calçada. Patins psicodélicos moderninhos nos pés, olhos claros contornados por cabelos esvoaçantes também claros, sorriso encantador que me fez lembra a minha gatinha de sorriso mágico. Por um momento, pensei até que estivesse tendo um sonho, miragem ou vertigem em pleno parque, mas era a mais pura, clara e hedionda verdade: tinha uma roller skate girl em cima de mim:

– Nossa, moço, machucou? – disse ela, me fazendo sentir o tio Sukita.

– Cuma?! – respondi de forma trapalhônica, com ecos da biografia do Mussum que estou lendo ainda ecoando em minha cabeça.

– Desculpa, me desequilibrei e quando vi, já estava em cima de você. Tá tudo bem? Tem certeza de que não machucou?

– Acho que sim… Que dizer, acho que não me machuquei, parece que tá tudo bem… Eu acho… E você, se machucou?Spalt

– Que nada, já estou acostumada, calejada de tanto tombo e trombada – disse com sorriso radiante nos lábios.

– Não sei como vocês conseguem andar nesse treco… – comentei meio boboca, lembrando daquela música do Belle & Sebastian que fala sobre passear em uma montanha-russa.

– Ah, é prática, que nem andar de bicicleta…

– Sei… Bem, é isso que tô tentando explicar para a minha sobrinha de quatro anos…

– Ela tá aprendendo?

– Tô tentando ensiná-la, digamos que estamos evoluindo…

– Que fofa!! Vai dá tudo certo, você vai ver!

– (fofa é você gatinha teenage) – deu vontade de falar.

– Qual é o seu nome? – perguntei ainda zonzo.

– Gabriela!! – E você? – antecipou ela.

– Flávio!

– O que você faz? – disparou a gatinha rápido no gatilho, novamente.

– Ah… sou jornalista…

– Que legal, trabalha em televisão?

– ???

– Claro que não, sou gago, fanho e tenho a língua presa, sem chance de bancar o William Bonner! – corrigi depressa. – Escrevo sobre cultura.

– Entendi… – respondeu rindo.

– Cinema, música, livros, trapalhões, Oasis, essas coisas… entendeu? – Insisti.

– Entendi…

– E você, o que faz?

– Ah, sou dentista… Quer dizer, termino o curso agora, no fim do ano…

– Legal!

– Então tá, se está tudo bem, então tchau!

– (Tchau?!) – Tchau…

E lá fui embora meio zonzo, com a canção The rollercoaster ride dançando na cabeça…

* Este texto foi escrito ao som de: The boy with the arab strap (Belle & Sebastian – 1998)

BS

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