Chaves e não Chavez: “Isso, isso, isso!”

Por seu poder de unificar toda a América, o personagem foi comparado ao revolucionário Simón Bolívar

Pelo poder de ter unificado toda a América, o personagem foi comparado a Simón Bolívar

Quando o presidente venezuelano Hugo Chávez morreu, em março de 2013, por causa da correria do dia a dia, da pressa insana com que a vida nos submete, enfim, em razão da pressão do sistema, não prestei atenção direito nas manchetes, nas notícias, e achei que, quem tivesse “morrido” era o Chaves, personagem marcante e ingênuo criado pelo humorista mexicano Roberto Bolaños. Bobagem porque, como já sabemos, os ídolos não morrem, são eternos em nossos corações e recordações, mas mesmo assim, chorei antecipado.

Mas felizmente, naquela época, foi um alarme falso e quem tinha morrido era o engodo do presidente Chávez, com toda a sua empáfia de tirano hipócrita e autoritário. Na época, me lembro de uma conhecida petista matusquela, daquelas chatas que sobem numa caixa de querosene jacaré para fazer discursos inflamados e lunáticos em defesa de ultrapassados ideais esquerdistas, sair em defesa do déspota venezuelano, argumentando sobre as coisas boas que ele havia realizado em prol de seu povo, mas claro, omitido a truculência do seu regime.

Tudo o que eu queria dizer para ela era de que o único Chaves que valia à pena era o daquela Vila mítica que existia num cortiço e que, se a Venezuela fosse governada por este Chaves,  e não pelo embuste Chávez, não só o país, mas o mundo seria um lugar bem melhor.

Chaves 2Bem, assim como a maioria das pessoas que estão lendo este post agora, cresci vendo Chaves e suas estripulias no SBT. “Pipipipipipipi”, era o jeito que chorava, quando alguém o sacaneava. “Ninguém tem paciência comigo”, dizia quando alguém se irritava com ele.

Um dos maiores fenômenos culturais da televisão latino-americana, o personagem Chaves – exibido em mais de 100 países ao longo de quatro décadas -, com seu jeito simples, ingênuo e romântico de ser foi um daqueles clássicos casos em que a criação cresceu mais do que o criador. Juro que, só pouco tempo atrás é que fiquei sabendo que existia um tal de Roberto Bolaños por trás do Chaves e foi “sem querer querendo”, como dizia um dos famosos bordões do personagem criado no início da década de 70. E o personagem cresceu tanto a ponto da revista Forbes comparar o menino pobre e abandonado que vivia dentro de um barril ao revolucionário Simón Bolívar, por seu prodígio de ter unificado um continente inteiro em função de um mesmo programa.

Reza a lenda de que Silvio Santos não tinha simpatia pelo personagem e só aceitou em incluir na grande de sua recém-criada emissora, por saber do sucesso do programa e personagem no México e em outros países de língua espanhola. Mais uma vez, o Midas da televisão brasileira acertou em cheio. Campeão de audiência no horário nobre da emissora, Chaves, deixou a poderosa Rede Globo várias vezes no chinelo.

Uma história, digam-se de passagem, com lampejos bíblicos, ou alguém aí já se esqueceu de que o pequeno Davi um dia venceu o gigante Golias? Não contavam com astúcia do pequetito Chespirito, né? E tem gente ainda que acredita que o grande homem da América Latina foi o ridículo e pulha Chávez.

* Este texto foi escrito ao som de: Martinho da Vila (1969) Martinho da Vila

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