“Você tem cara de palhaço!”

A pequena Júlia fez lembrar desse clássico de Jerry Lewis na pele de um palhaço que chora

A pequena Júlia fez lembrar desse clássico de Jerry Lewis na pele de um palhaço que chora

Ontem fui levar minha sobrinha à escola e, enquanto a professora não chegava, lá estava eu cercado de umas 4 ou 5 crianças, todos amiguinhos da minha pequena quando, de repente, uma delas, mirando meu narigão, não vacilou: “você tem cara de palhaço, hahahahaha!”, disse, na maior sinceridade ingênua.

Confesso que na hora tomei um susto, mas depois a ficha caiu e levei numa boa. Para ser sincero, foi o melhor elogio que recebi nos últimos tempos. Lembrei-me na hora de um dos meus ídolos da infância, o Jerry Lewis, num filme em que ele aparece caracterizado de palhaço. Uma pena eu não lembrar mais o título, nem a fita ser exibida nos canais pagos da vida, mas não me esqueço de uma cena emblemática. É quando ele, na arena do circo, fazendo dezenas de crianças rirem com suas palhaçadas, percebe uma garotinha paraplégica na primeira filha distante e tristonha. Então ele senta ao lado dela e insiste nas caretas e brincadeiras, mas nada da guria sorrir. Desolado por não conseguir roubar um sorriso da menina, o alegre palhaço então começa a chorar e é quando ela cai na gargalhada.

Os trapalhõesA pequena Júlia Diniz, a amiguinha da minha sobrinha que me chamou de palhaço, felizmente não é paraplégica, nem tristonha, muito menos distante. Mas uma garotinha elétrica e, como tantas outras de sua idade, de uma sinceridade ingênua comovente. É algo que adoro nas crianças. Por isso que gosto tanto delas e elas de mim. Por isso que não tenho paciência nenhuma com adulto e toda calma do mundo com os pequenos. “Vem a mim as crianças”, já dizia Jesus.

E quer saber? Não é a primeira vez que sou chamado de palhaço. Meses atrás, minha sobrinha de 4 anos, revirando os DVDs em minha estante mágica, viu a fita de O professor aloprado, o clássico com Jerry Lewis (olha ele aí outra vez!) e veio me dizer correndo:

– Ti, ti, ti, parece com você, parece com você!Essa empatia entre eu e a criançada é imediata, espontânea e direta. Aonde eu chego se tem criança, logo elas ficam em volta de mim e sou a atração. Talvez seja por causa do nariz grande mesmo e daí? Sem me fazer de rogado logo começo a inventar uma brincadeira, fazer palhaçadas, caretas e, num piscar de olhos, estamos todos rolando no chão. Quando levo minha sobrinha ao parquinho então é a mesma farra. Acho que além do nariz, tenho também alma de palhaço e, parafraseando o John Lennon, que bom ser o palhaço do meu bairro já que as pessoas ditam sérias não têm tempo de brincar com seus filhos e sobrinhos, porque estão muito ocupadas em ganhar dinheiro e ser alguém importante na vida.

Não sei por que, de repente esse papo de criança me fez ficar saudoso dos meus tempos de criança. De quando brincava de carrinho no quintal de casa e não perdia um filme dos trapalhões na tevê. Movido por uma nostalgia sem igual, mexi nos meus vinis e descobri ali um disco do Carequinha. Como era bom ser “criança feliz, feliz a cantar, alegre embalar, seu sonho infantil”. Bons tempos que não voltam mais. O jeito então é curtir as duas sobrinhas que ajudo a criar. E que me faz o palhaço mais feliz do mundo.

*Este texto foi escrito ao som de: Os grandes sucessos do Carequinha (1975)

Carequinha

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