Paul McCartney debaixo d’água é ainda melhor

Depois que vi a garota de sorriso mágico, tudo no show começou a melhorar

Depois que vi a garota de sorriso mágico, tudo no show começou a melhorar

O atraso de uma hora de Paul McCartney no primeiro show do artista em Brasília, realizado ontem (23/11), no Estádio Mané Garrincha, quase me tirou do sério, ainda mais vindo de um autêntico cidadão britânico. Mas com certeza deve ter sido por causa da chuva ou alguma burocracia da produção local, ou seja, o pessoal ligado à Arena. Enfim, com o toró que estava caindo, o que todos queriam mesmo era que a apresentação começasse logo, mas quando isso aconteceu, mesmo depois de tensas vaias, foi uma festa. E com Paul debaixo d’água foi ainda melhor. É como naquela clássica canção dos Beatles de 1967: “Eu admito que está ficando melhor”.

E para aqueles que estavam vendo o ex-beatle pela primeira vez na vida então foi uma apoteose de emoção. Tinha uma menina atrás de mim, uma adolescente que quando nasceu os meninos de Liverpool já estavam separados há tempos, que chorava copiosamente. Só me restava ser solidário em meu silêncio de fã, já que um dia eu também fui assim.

Simpático, carismático e profissional, mesmo depois do atraso vergonhoso e das vaias constrangedoras o artista não perdeu o rebolado e brincou o tempo todo com a plateia, elogiando beleza da cidade. “Vocês moram numa cidade bonita”, disse.Mulher-Gato

Marinheiro de terceira viagem, confesso que achei a primeira metade do show entediante, morno até, com dois ou três momentos empolgantes, com Paul cantando Let me roll it e Band on the run, só melhorando mesmo, depois que o ex-beatle começou a emendar uma sequência esmagadora de hits daquela que foi a melhor e maior banda de rock de todos os tempos.

Foi quando, atravessando o público, com o sorriso mágico estampado no rosto, vi a garota dos meus sonhos toda de preto e cabelos claros, parecendo a Mulher-Gato ou a Batgirl, com seu charme de musa da renascença. As pernas bambearam, acho até que o coração parou de bater por um instante e talvez por isso mesmo que não tive coragem de aproximar e roubar-lhe um abraço, quem sabe um beijo de recordação, ao som de Live and let die ou Hey Jude.

Dali em diante, como naquela velha canção dos Beatles de 67, admito que tudo pareceu ter ficado melhor: a chuva fria, o atraso que já era coisa do passado, as mesmas piadas e teatrinho dos músicos dos shows passados, o repertório saudosista marcado por canções icônicas que fizeram minha adolescência e de milhares de pessoas que ali estavam. Inclusive da minha gatinha de eterno sorriso mágico. Tão mágico quanto uma canção de Paul McCartney, uma canção dos Beatles.

* Este texto foi escrito ao som de: Let it Be (The Beatles – 1970)

Let it be

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